Cresce 73% número de prefeitas
Publicado no
Jornal da Tarde (SP), 09/10/08.
Serão 52 prefeituras paulistas
sob o comando de mulheres. Mas a média do País ainda é maior
Fernanda Aranda,
fernanda.aranda@grupoestado.com.br
Aumentou em 73% o número de vagas
ocupadas por prefeitas em São Paulo. Entre a eleição de 2004 e o
último domingo, subiu de 30 para 52 o número de cidades em que elas
saíram vitoriosas das urnas, segundo levantamento feito pelo JT.
Apesar do crescimento do universo feminino nos gabinetes
majoritários, a média paulista de municípios que serão gerenciados
por pessoas do sexo feminino em 2009 é menor do que a brasileira:
8,02% dos cargos ocupados no Estado contra 9,16% no País.
Ainda está na disputa para aumentar o contingente de mulheres nas
prefeituras paulistas a candidata na capital Marta Suplicy (PT),
única que conseguiu passar ao 2º turno. Nas outras capitais
brasileiras, Luizianne Lins (PT) já levou em Fortaleza e Micarla de
Souza (DEM), em Natal. No Sul, três mulheres batalharam pelo segundo
lugar - Manuela D’Ávila (PC do B), Luciana Genro (PSOL) e Maria do
Rosário (PT). A última conseguiu chegar a segunda etapa do pleito
gaúcho.
Das novas prefeitas paulistas, o destaque vai para a Baixada
Santista. Das nove cidades da região, Peruíbe, Cubatão e Guarujá
tiveram vitória feminina. Em Campos do Jordão, o eleitorado também
optou por uma mulher, ainda que seja representante do partido nanico
PHS. Além dessas, a pequena Pindorama, próxima a Catanduva, no
interior, será administrada por uma senhora pela primeira vez.
No geral, a tendência de mulheres prefeitas no País é de alta. Em
2000, elas representavam 5,72%, escalaram para 7,32% em 2004 para
chegar nos 9% atuais, segundo as estatísticas do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) . O “funil” da participação feminina foi severo:
5.502 disputaram e 500 passaram
“Ainda não podemos comemorar esse crescimento”, lamenta a professora
Marlise Matos, chefe do departamento de Ciência Política da
Universidade Federal de Minhas Gerais (UFMG) e coordenadora do
Núcleo de Pesquisas sobre Mulheres. “A média mundial de
representantes femininos no poder é de 17%. Estamos muito atrás
disso. E eu estranho o jogo político da democracia, com uma
diferença tão grande entre homens e mulheres. Se continuarmos nesse
ritmo, vamos demorar 71 anos para chegar aos 30% de mulheres
eleitas.”
Sônia Malheiros, subsecretária da Secretaria Especial de Políticas
para as Mulheres, ligada ao governo federal, também considera
pequenos avanços diante do “abismo” entre homens e mulheres na
participação política. “Um dos argumentos é a falta de interesse da
carreira política por parte delas, mas a recusa é feita em um
contexto que ela precisa dar conta da vida familiar, dos filhos, das
tarefas domésticas, da carreira, do curso de especialização. Ainda
falta muito para falarmos em igualdade entre os sexos nas instâncias
políticas”, avalia, ao fazer questão de ressaltar que nenhum partido
político atingiu a cota de reservar 30% das vagas para concorrentes
do sexo feminino.
Em seu artigo sobre a participação feminina nas instâncias de poder,
a pesquisadora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ),
Clara Araújo, lembra de outro empecilho para a entrada da mulher na
política: o financiamento da campanha. Tarefa, lembra a autora, que
fica ainda mais difícil quando as diferenças de salários entre
homens e mulheres chega a até 70%.
A ressalva sobre os avanços da mulher na política também estão no
relatório da ONG Inter-Parliamentary Union, divulgado no início do
ano. O Brasil aparece na 142ª posição entre 188 países com
participação feminina na política - atrás de Casaquistão e, na
América do Sul, só à frente da Colômbia.
LONGE DO IDEAL
“Ainda não podemos comemorar o crescimento. A média mundial de
representantes femininos no poder é 17%.”
MARLISE MATOS, PROFESSORA DA UFMG