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Portugal legaliza o aborto com voto do Parlamento
Folha de S.Paulo,
09/03/07.
Plebiscito indicou maioria contra a criminalização, mas a
abstenção foi elevada
Na União Européia, Malta, Irlanda e Polônia ainda têm o
aborto como crime; 18 mil portuguesas abortaram em 2005 em
atos clandestinos
DA REDAÇÃO
Em votação que coincidiu com o Dia
Internacional da Mulher, o Parlamento português aprovou
ontem o projeto que legaliza o aborto.
A "interrupção voluntária da gravidez" -expressão surgida
na França, e que Portugal agora adotou- será legalmente
permitida até a décima semana, e a cirurgia deverá ser
feita em hospitais credenciados.
A descriminalização do aborto contou com o apoio de 59%
dos eleitores que participaram de plebiscito no último 11
de fevereiro. Mas, como a abstenção foi maior que 50%, o
tema voltou para a esfera parlamentar.
O assunto já havia sido submetido em 1998 a um primeiro
plebiscito. A maioria favorável ao aborto foi apertada, de
51%. Mas com uma abstenção de 68%, o resultado teve sua
legitimidade contestada. Fizeram na época campanha pela
abstenção partidos do bloco de centro direita, a
hierarquia católica e entidades ligadas à igreja.
18 mil abortos
Estudo publicado em dezembro pela Associação para o
Planejamento Familiar calcula que 18 mil portuguesas
praticaram ilegalmente o aborto em 2005, em condições de
higiene pouco favoráveis, com riscos bastante elevados.
Até agora, vigorava sobre o tema uma lei de 1984, uma das
mais restritas da União Européia. Por ela, as mulheres que
admitissem ter abortado estavam sujeitas a penas de até
três anos de prisão. As únicas brechas legais para a
cirurgia cobriam os casos de estupro, perigo para a vida
da mãe ou má-formação do feto.
Mas os médicos portugueses hesitavam em abortar, mesmo
quando autorizados judicialmente e com provas de estupro.
A aprovação ontem do projeto contou com o apoio dos
deputados do Partido Socialista, do Partido Comunista
Português, dos Verdes, do Bloco de Esquerda (grupos mais
radicais) e de 21 deputados dissidentes do Partido Social
Democrático, de centro.
O CDS-PP, de centro direita, votou contra, e seu líder,
Ribeiro e Castro, fez um apelo público para que o
presidente Cavaco Silva assuma o compromisso de não
promulgar o texto.
Recurso judicial
O deputado também afirmou, segundo o jornal "O Público",
que deverá recorrer ao Tribunal Constitucional caso o
chefe de Estado autorize a publicação da nova lei.
O argumento é de que o aborto contraria a Constituição
portuguesa, que em seu artigo 24 garante o direito à vida.
Analistas acreditam, no entanto, que o CDS-PP procura
muito mais marcar posição, sem a possibilidade de reverter
a descriminalização agora formalizada.
Aborto na Europa
Entre os 27 países da União Européia, Portugal deixa de
integrar o pequeno pelotão em que o aborto é ilegal. Na
Polônia, com o fim do comunismo, a prática, antes
legalizada, voltou a ser considerada criminosa.
A interrupção voluntária da gravidez nunca foi permitida
na Irlanda e em Malta. Nos demais países, ela é admitida
sem maiores controvérsias.
Com agências internacionais
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| Pesquisa sobre Violência Contra a Mulher |
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Pesquisa Ibope
Instituto Patrícia Galvão
2006§ 51% conhecem ao menos uma mulher que é ou foi agredida pelo
companheiro
§ 33% apontam a violência contra a mulher dentro e fora de casa
como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade
§ 64% acham que o agressor deveria ser preso
§ 75% consideram as penas aplicadas em casos de violência
contra a mulher são irrelevantes
§
Nove em cada 10 mulheres lembram de
ter assistido ou ouvido campanhas contra a violência à mulher na TV ou
rádio
Leia mais
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