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Para alguns, é impossível
vender cerveja sem mulher
Valor Econômico, 14/07/08
Em cinco anos, desde que as
mensagens de advertência começaram a ser veiculadas ao final das
propagandas de cerveja, por orientação do Conselho Nacional de
Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), a evolução é nítida.
De São Paulo
Se antes o aviso aparecia tímido, exibido apenas em um canto do
anúncio, agora o "Beba com moderação" é exposto em letras garrafais
em todas as peças publicitárias e, nos vídeos, até narrado pelo ator
principal. Outras mensagens ganharam espaço, como "Se dirigir não
beba" e "Este produto é destinado a adultos". Tomar cerveja em cena
também foi proibido.
Enquanto isso, o velho truque de associar mulher e cerveja passou a
ser usado com alguma parcimônia, embora ainda seja o principal apelo
nos cartazes em pontos-de-venda. A dupla "mulher e cerveja"
permanece forte em pelo menos duas grandes marcas: Kaiser, da Femsa,
e Antarctica, da AmBev.
No primeiro caso, a campanha elaborada pela Fischer América colocou
beldades como garçonetes, jogadoras de futebol, bailarinas e até
como personagens de tampinhas das garrafas de Kaiser, sempre com
decotes generosos, e pernas e quadris em evidência.
Exposição semelhante recebeu a atriz principal do comercial da
Antarctica, Juliana Paes, eleita a mulher mais sexy do mundo nos
últimos dois anos por leitores de uma revista masculina. Na campanha
da Almap BBDO, lançada em 2006, a marca faz um trocadilho com o "Bar
da Boa", comandado por Juliana.
O viés machista das campanhas de cerveja é um calcanhar-de-aquiles
para a publicidade. "Fico especialmente incomodado com as ações do
mercado de bebidas que usam a mulher como objeto sexual", diz Dalton
Pastore, presidente da Abap. "Não precisa ser assim". Nas novas
restrições a anúncios de bebidas, ditadas pelo Conar e em vigor
desde 10 de abril, é definido que o apelo à sensualidade não deve
ser a tônica da mensagem e modelos não podem ser tratados como
objetos sexuais.
As mudanças não são simples de seguir, dizem alguns publicitários.
"Mulheres bonitas fazem parte do código (de comunicação) da
categoria cerveja", afirma Antonio Fadiga, presidente executivo da
Fischer América. "Mas estamos atentos à dose de sensualidade na
propaganda". No final de junho, o filme da Kaiser "Garotas nas
tampinhas" foi suspenso por determinação do Conar.
Calebe Ferres, superintendente de contas da agência Almap BBDO,
responsável pela campanha da Antarctica, não sabe dizer se a marca
continuará explorando o tema "Bar da Boa". "Não acredito que seja
difícil fugir disso (mulher e cerveja), mas se esse apelo continua
sendo usado é porque está arraigado na cultura brasileira".(DM)
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| Pesquisa sobre Violência Contra a Mulher |
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Pesquisa Ibope
Instituto Patrícia Galvão
2006§ 51% conhecem ao menos uma mulher que é ou foi agredida pelo
companheiro
§ 33% apontam a violência contra a mulher dentro e fora de casa
como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade
§ 64% acham que o agressor deveria ser preso
§ 75% consideram que as penas aplicadas em casos de violência
contra a mulher são irrelevantes
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Nove em cada 10 mulheres lembram de
ter assistido ou ouvido campanhas contra a violência à mulher na TV ou
rádio
Leia mais
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