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A reforma começa comigo

Publicado pelo site do Observatório da Comunicação, 19/06/08.

Simone Delgado*, do Observatório da Imprensa

De 6 a 8 de junho, mais de 3.500 jornalistas, ativistas da mídia, acadêmicos e cidadãos preocupados com a estado da mídia nos reunimos em Minneapolis, no estado de Minnesota, para a 4ª Conferência Nacional pela Reforma da Mídia. O evento foi promovido pela maior organização de reforma de mídia dos Estados Unidos – a Free Press –, fundada pelo acadêmico Robert McChesney e que hoje conta com meio milhão de ativistas lutando por uma mídia que reflita os anseios da sociedade, e não os interesses dos governos e das grandes corporações.

Ainda tento assimilar a quantidade de informações de alguns dos 75 painéis, workshops e filmes à disposição no Centro de Convenções de Minneapolis, onde o evento foi realizado com o tema "Media Reform Begins With Me".

Em workshops como "Mídia e Eleições", "Futuro da Internet", "Mídia e Democracia", "Reforma da Mídia e Mudança Social" e "Analisando e Desconstruindo a Mídia" foram levantadas questões importantes sobre a necessidade e confirmação de que uma outra mídia é possível – um sistema de mídia baseado nos valores de justiça e democracia. Para isso, todos concordam, a mídia deve ser livre e diversificada, em oposição ao que vem sendo apresentado pela imprensa corporativa norte-americana, principalmente na cobertura vergonhosa da invasão do Iraque.

A luta é de cada um

Num dos painéis de discussão mais disputados não só pelo tema – "Mídia e a Guerra" –, mas pela garra de um dos jornalistas mais progressistas do país, Naomi Klein (The Guardian, The Nation e autora do livro The Shock Doctrine) criticou a cobertura de guerra feita pela imprensa norte-americana dizendo que a invasão do Iraque simplesmente sumiu dos noticiários por conta do interesse em jogo na campanha pelas eleições presidenciais.

Amy Goodman, âncora do programa de TV Democracy Now, onde quer que vá sempre emociona o público quando analisa o estado da mídia com seu tom de voz afiado e seguro. "Se, por uma semana, as imagens das atrocidades de guerra, como crianças mutiladas, fossem exibidas na televisão, essa guerra já teria terminado porque o povo norte-americano tem compaixão."

Mas foi o lendário jornalista Bill Moyers (Bill Moyers Journal, da PBS) que eletrizou uma audiência ávida por mudanças na maneira como a mídia representa a sociedade norte-americana. Disse que a reforma da mídia é o movimento mais importante da história do país depois do movimento pelos direitos civis. Criticou ferozmente a consolidação dos meios de comunicação e não deixou de mencionar o Iraque: "Nós tínhamos que ter sabido a verdade sobre o Iraque para evitar a destruição daquele país, a morte de milhares de civis e ter salvado bilhões de dólares para investimentos na economia norte-americana". Moyers encerrou enfatizando que a luta pela democracia e por uma mídia mais justa é de cada um de nós, cidadãos do mundo.

As decisões do dia-a-dia

Apesar de todo o entusiasmo e das mensagens inspiradoras dos palestrantes, faltou um debate mais aprofundado sobre a necessidade de integração do movimento de reforma da mídia com outros países. A jornalista Naomi Klein citou rapidamente a América Latina como exemplo de luta contra o neoliberalismo e mencionou uma agenda de integração.

Fica o recado para quem já voltou para casa: a luta é nossa e não podemos esperar pelos governos e pelas corporações. Como diz Amy Goodman, "todos os dias nós acordamos e temos uma série de decisões a serem tomadas. Temos que ter consciência que as nossas decisões podem influenciar o mundo".

* Simone Delgado é jornalista.
 

Pesquisa sobre Violência Contra a Mulher
 
Pesquisa Ibope
Instituto Patrícia Galvão
2006

§ 51% conhecem ao menos uma mulher que é ou foi agredida pelo companheiro

§ 33% apontam a violência contra a mulher dentro e fora de casa como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade

§ 64% acham que o agressor deveria ser preso

§ 75% consideram que as penas aplicadas em casos de violência contra a mulher são irrelevantes

§ Nove em cada 10 mulheres lembram de ter assistido ou ouvido campanhas contra a violência à mulher na TV ou rádio
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