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Reunião de aprofundamento e elaboração de propostas sobre

Gênero, Democracia e Políticas Públicas de Comunicação

 São Paulo, 6 e 7 de dezembro de 2007
 

Veja abaixo alguns destaques das exposições e imagens da mesa que debateu a necessidade de um órgão regulador para  a mídia
 

 

6 de dezembro (5ª feira), das 14h às 17h
Mesa 2 – Um órgão regulador para TV em um Brasil democrático
Acesse aqui a matéria completa sobre esta mesa:
"Democracia só com controle social dos meios de comunicação"

 

Expositores/as

Lalo Leal Filho (SP) – professor da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero e apresentador do programa Ver TV

Adriana Fernandes (SP) – procuradora do Ministério Público Federal

Ana Bock (SP) – presidente do Conselho Federal de Psicologia e professora do Departamento de Psicologia da PUC/SP

Debatedora: Albertina Costa (SP) - Fundação Carlos Chagas

Coordenadora: Denise Viola (RJ) - Rede de Mulheres em Comunicação

Debate

 

A coordenação desta mesa esteve a cargo da radialista Denise Viola

 

Lalo Leal Filho e Adriana Fernandes

 

Lalo Leal Filho - Ver TV e Faculdade Cásper Líbero

 

“É a segunda vez que participo de um evento no Instituto Patrícia Galvão e isso me dá muita alegria, poder discutir essas questões, e principalmente duas questões de ponta que vocês estão colocando em debate no dia de hoje. Lembro que há uns 10, 12 anos, quando fui fazer um curso de pós-doutorado na Inglaterra, voltei com duas marcas muito profundas do modelo de comunicação eletrônica que eu encontrei lá e que eu não conhecia, que é uma TV pública de altíssima qualidade, referência mundial, que é a BBC, e, além disso, um sistema público de radiodifusão realmente público, controlado pelo público. Quando voltei para cá, 1995/96, eu me senti um E.T., parecia algo estratosférico falar de TV pública, uma rede nacional de TV pública no Brasil, e controlada pela sociedade... não era fácil as pessoas entenderem. Hoje, nós estamos aqui discutindo a existência de uma TV pública. É um avanço o fato de estarmos aqui discutindo esses dois temas, que para mim são cruciais: a TV pública e a questão da regulação, a questão dos órgãos reguladores”.

“Se a TV pública é algo difícil, a lei de regulação eletrônica vai ser muito mais difícil, porque vai mexer em um modelo de negócios que está estruturado há 70 anos, desde que o rádio surgiu no Brasil e depois se perpetuou com a televisão”.

“Do meu ponto de vista é um equívoco colocar propaganda comercial na TV pública, vender produtos comerciais na TV pública é destruir a TV pública. Gradativamente você começa a colocar a lógica do mercado sobre a lógica da cidadania, sobre a lógica da prestação de serviço público. Vai haver um departamento comercial que vai perceber que, se baixar um pouco o nível da programação, colocar um programa mais popularesco ali vai dar mais dois pontinhos, e aí outro paga, é a pressão do vendedor, do contato de publicidade. Gradativamente o departamento comercial passa a subordinar a programação. Isto é um processo natural. (...) A segunda questão é a da linguagem. Quando se começa a colocar anúncio comercial na televisão pública, sua linguagem, que tem que vender rapidamente, pegar a pessoa pela emoção e não pela razão, esse ritmo do comercial começa a contaminar a programação. (...) O comercial contamina a linguagem e, finalmente, você não pode pensar numa televisão pública que estimula o consumismo”.

“Objetivos expressos por órgãos reguladores de alguns países:

- repartir o bem público;

- igualdade de acesso;

- otimizar o uso do espectro;

- regulamentar a propriedade cruzada de meios de comunicação;

- proteção dos telespectadores, especialmente as crianças;

- garantir pluralismo das informações.”


“Todos os brasileiros serão iguais no acesso à televisão pública?”

  

Adriana Fernandes - Ministério Público Federal

 

“Em uma abordagem jurídica, não existe esse órgão regulador para a TV no Brasil, embora o artigo 221 da Constituição Federal estabeleça alguns requisitos que a programação da televisão e do rádio deve observar, tais como suas finalidades educacionais, artísticas, culturais e informativas; promoção da cultura regional e regionalização da produção cultural; respeito aos valores éticos e sociais...”

“Um dos controles citados por autores é aquele feito pelas próprias emissoras. A meu ver é bem insuficiente, acho que as emissoras não realizam esse tipo de controle.  (...)  Há realmente falta de transparência das emissoras e falta de diálogo com a sociedade, criar um órgão regulador é o caminho”.

 

 

Ana Bock e Albertina Costa

 

Ana Bock - Conselho Federal de Psicologia
 

“O sujeito se constitui a partir do meio, da sua relação social, de sua inserção na cultura, do seu contato com as ferramentas que contêm humanidade, do que os humanos que o antecederam fizeram, humanizando um mundo que não era humanizado, e é naquele lugar, naquela ferramenta que o sujeito vai buscar o seu conteúdo para se humanizar. (...) O ser humano vai se constituindo conforme ele vai entrando em contato com o mundo cultural, no qual a humanidade está posta e o contato com esse mundo é mediado pelas relações sociais, pelo adulto, e com isso ele vai se constituindo. Daí a importância de todas as ferramentas culturais, sendo a linguagem uma das principais, pois se molda o pensamento com ela, mas todas são importantes, tudo é constituidor de subjetividade”.

“A mídia é uma das ferramentas culturais, uma presença bastante forte na vida de todos nós, em especial na vida das crianças, que têm poucos recursos para enfrentar a mídia, enfrentar essa ferramenta, assim como têm poucos recursos para enfrentar uma tesoura, uma faca afiada, uma tomada. Isso significa que a criança corre riscos, quando ela se põe frente a essas ferramentas, sem que tenha sido educada para isso, preparada para isso, sem que tenha recursos psicológicos, internos, para dialogar, para receber, para devolver, sistematizar informações”.

“Alguém controla a informação que é passada? Há alguém no controle? Ou hoje não há controle e nós queremos instituir um controle?”

“Obviamente há um controle posto, mas ele é individual, no sentido de pequenos grupos de interesse que controlam a mídia. Queremos modificar a forma de controle, queremos mudar a amplitude do consenso. Hoje o consenso que é veiculado é o consenso de uma família, é o consenso de sete grupos familiares no Brasil. Queremos que o consenso possa ser mais amplo, inclusive um lugar de embate, não queremos apenas substituir”.

“Nossa questão deve ser de quantas subjetividades estão tomando a decisão, produzindo o consenso”.

“A mídia precisa garantir o auto-reconhecimento social. Temos um país com a mesma língua, mas muitos sotaques. (...)  Pela insistência, o sujeito passa a se identificar com figuras que não são a dele”.

“Que educação a nossa televisão está dando? Queremos produzir o consenso sobre qual deve ser esta educação!”

 

Albertina Costa - Fundação Carlos Chagas

"Lalo falou que o tema [da criação de uma lei ou órgão regulador] é mais espinhoso que o da TV Pública. Ficamos encantados quando a Ivana falou de manhã sobre o necessário aperfeiçoamento de nossa tecnologia participativa. Para ela, os limites da democracia representativa estão dados.Mas como se dará a composição dos organismos de controle?"

"Na verdade, temos leis que não são cumpridas! Uma coisa é pensar que leis queremos; outra é o que fazer, agora, com a legislação presente? Tanto Lalo como Adriana nos dizem que há instrumentos legais para interferir. Alguns não são aplicados. Dentro do arcabouço vigente, o que poderíamos fazer? Como utilizar melhor os instrumentos que já temos?"

"Como melhorar nossa engenharia participativa? O CNDM (Conselho Nacional dos Direitos da Mulher), do qual faço parte, está sendo reformulado. Quem representa quem no Conselho? Essa é uma discussão muito complicada. Nós falamos aqui também de maneira redutora: 'o representante do movimento negro', 'o representante do movimento ecológico'; tem 'trocentos' movimentos ecológicos, trezentos movimentos de mulheres, não sei quantos movimentos negros, sindicais, associações; é complicado, muito complicado. E quem escolhe o representante?"
 

Acesse aqui a matéria completa sobre esta mesa:
"Democracia só com controle social dos meios de comunicação"


 

Lurdinha Rodrigues (Liga Brasileira de Lésbicas) e Ana Veloso (Centro das Mulheres do Cabo)

 

Janaína Oliveira (Na Mira Produções) e Rachel Moreno (Articulação Mulher e Mídia)

 

 

Michelle Prazeres (Intervozes)

 

 

Realização: Instituto Patrícia Galvão

Apoio: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres / Fundação Ford
Informações: ipgalvao@uol.com.br ou (11) 3266-5434.

 

  Pesquisa Ibope
Instituto Patrícia Galvão
2006
   
 

§ 51% conhecem ao menos uma mulher que é ou foi agredida pelo companheiro

§ 33% apontam a violência contra a mulher dentro e fora de casa como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade

§ 64% acham que o agressor deveria ser preso

§ 75% consideram que as penas aplicadas em casos de violência contra a mulher são irrelevantes

§ Nove em cada 10 mulheres lembram de ter assistido ou ouvido campanhas contra a violência à mulher na TV ou rádio
Leia mais

   
 

 

 
 

 

 
   

 

 
   
   
   
   
   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bia Barbosa
(Intervozes)

 
 

Mara Vidal
(Consultora em Gênero e Raça)

   
   
   
   
   
   
   
   
   

Instituto Patrícia Galvão - Comunicação e Mídia
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Fones: (11) 3266.5434 / 3285.4951 - e-mail: ipgalvao@uol.com.br
Apoios: Instituto Avon - CCR - Fundação Ford - Global Fund for Women - IWHC - SPM - UNFPA - UNIFEM