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Reunião de aprofundamento e elaboração de propostas sobre

Gênero, Democracia e Políticas Públicas de Comunicação

 São Paulo, 6 e 7 de dezembro de 2007
 

Democracia só com controle social dos meios de comunicação

Terezinha Ferreira*


"
Queremos modificar a forma de controle, queremos mudar a amplitude do consenso. Hoje o consenso que é veiculado é o consenso de uma família, é o consenso de sete grupos familiares no Brasil. Queremos que o consenso possa ser mais amplo, inclusive um lugar de embate, não queremos apenas substituir.”
Ana Bock, presidente do Conselho Federal de Psicologia

 

 

6 de dezembro (5ª feira), das 14h às 17h
Mesa 2 – Um órgão regulador para TV em um Brasil democrático
Acesse aqui alguns destaques das exposições e imagens desta mesa

 

A coordenação desta mesa esteve a cargo da radialista Denise Viola (Rede de Mulheres em Comunicação)

 


Se discutir um sistema público de rádio e televisão no Brasil está sendo bastante difícil, conquistar uma legislação para a regulação da comunicação eletrônica será ainda pior, na opinião do professor Lalo Leal Filho, primeiro expositor da segunda mesa do Seminário. “Criar uma lei de regulação eletrônica vai mexer em um modelo de negócios que está estruturado há 70 anos, desde que o rádio surgiu no Brasil e depois se perpetuou com a televisão. O modelo hegemônico brasileiro não é só hegemônico do ponto de vista da economia e da política, é também hegemônico do ponto de vista simbólico. Está na cabeça das pessoas que televisão e rádio são empreendimentos comerciais, as pessoas acham que os concessionários são donos dos canais. É um debate difícil, mais ainda pelo fato de 90% da população brasileira só ter acesso ao mundo pela televisão comercial aberta, só ter como fonte de informação a TV”, que, naturalmente, não informa ser concessão pública.

Apesar disso, Lalo considera um avanço extraordinário discutirmos hoje estas questões, pois há uma década atrás as pessoas não conseguiam nem pensar na possibilidade de termos uma rede nacional de TV pública no Brasil, e ainda mais controlada pela sociedade. As pessoas precisam entender que “o governo é representante da sociedade na outorga do uso do espectro eletromagnético e que os grupos que têm acesso a ele passam a ter um poder de voz e de presença na sociedade incomensurável em relação a qualquer outra voz. Esses grupos se tornam altamente privilegiados, pois o espectro é finito, escasso, nenhum de nós tem o poder que as redes de comunicação eletrônica têm; e eles podem falar e você não pode responder”. O professor acredita que o processo caminha rapidamente, pois o Parlamento brasileiro começa a discutir a legislação. Lalo esteve recentemente em uma audiência no Senado em que o tema era uma lei sobre a comunicação eletrônica de massa. Ele percebe também indícios de que a Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República) terá o encargo de cuidar da regulação.
 

Lalo Leal Filho (professor e apresentador do programa Ver TV)  e Adriana Fernandes (procuradora do Ministério Público Federal)

 

Historicamente no Brasil, o poder da televisão é superior ao das TVs dos países desenvolvidos, onde é relativizado por outras formas de comunicação e por legislações controladoras das emissoras. Para Lalo é urgente a criação de uma nova lei de comunicação de massa, pois a que temos em vigor no Brasil é de 1962, está totalmente superada e, mesmo assim, são ignoradas as poucas restrições que coloca. Um exemplo é a limitação em 25% de propaganda na grade de programação, quando temos canais de televisão com programação 100% comercial e, se incluirmos o “merchandising”, várias delas estão violando esta regra. “A regulamentação é ardilosamente confundida, por quem não a quer, com censura, quando uma coisa nada tem a ver com a outra. Tentam confundir imprensa escrita, que trafega por veículos privados, com a radiodifusão, que é espaço público”, alerta o professor.

Para procuradora do Ministério Público Federal (MPF), Adriana Fernandes, a partir de uma abordagem jurídica, “não existe esse órgão regulador para a TV no Brasil, embora o artigo 221 da Constituição Federal [veja ao final da matéria] estabeleça alguns requisitos que a programação da televisão e rádio deve observar, tais como suas finalidades educacionais, artísticas, culturais e informativas; promoção da cultura regional e regionalização da produção cultural; respeito aos valores éticos e sociais...”

Adriana citou também o artigo 220 da Constituição, que veda a existência de censura política, ideológica e artística, propondo a regulação com classificação de idade e horário, o estabelecimento de meios legais contra programações que contrariem o artigo 221, a proibição de monopólios e oligopólios. Também o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) foi lembrado como lei federal que pode ser usada, ainda que restrita a um período da vida, pois prevê a proteção dos mais novos em relação à mídia. Em muitas ações do MPF tem sido utilizado.

Entretanto, estão até hoje sem regulamentação esses artigos da Constituição de 1988. “Ainda não se editou essa lei federal, com toda a amplitude que quis a Constituinte”. Assim como para Lalo, Adriana acha que “há vários exemplos de sistemas jurídicos, como os da Inglaterra ou Estados Unidos, que controlam desde o conteúdo até a participação da sociedade civil e podem ser aproveitados para elaborar essa lei”.

“Todos os brasileiros serão iguais no acesso à TV pública?”

Garantir que este bem público seja socializado está na base da legislação vigente em diversos países democráticos. O professor Lalo citou como exemplos Inglaterra, Estados Unidos, França, Canadá e Portugal, elencando objetivos comuns expressos por órgãos reguladores desses países: repartir o bem público, igualdade de acesso, otimizar o uso do espectro, regulamentar a propriedade cruzada de meios de comunicação, proteção dos telespectadores, especialmente as crianças, garantir o pluralismo das informações. Enquanto nesses países existem disputas públicas pela outorga do uso do espectro e um monitoramento da programação buscando garantir uma grade que atenda a diferentes interesses, no Brasil as outorgas constituem uma grande "caixa preta" utilizada politicamente e na grade de programação é comum termos o horário de novelas ou o horário do humor ser transmitido ao mesmo tempo em todos os canais.

“Uma das condições iniciais deve ser a universalização do acesso à comunicação pública”, considerado sério desafio por Lalo, que é também apresentador do único programa de TV que discute a TV, o Ver TV, da Radiobrás. Afinal, não deixa de ser irônico que a nova TV pública brasileira, a TV Brasil, seja inaugurada sem que o seu sinal atinja muitas das cidades brasileiras, incluindo São Paulo.

Nos países democráticos os órgãos reguladores têm um poder de sanção que pode até cassar as concessões. “Por aqui, sofremos campanha virulenta da televisão, usando pessoas respeitáveis da TV para fazer uma discussão retrógrada, conservadora”, diz o professor, referindo-se à recente discussão em torno da classificação indicativa de idade para a programação, reveladora da dificuldade que haverá para implantar uma legislação. Contra as críticas que colocam a subjetividade de quem vai regular a programação como impedimento, Lalo diz que há uma série de estudos que mostram a possibilidade de objetivar a análise e também há trabalhos no Congresso Nacional apontando nessa direção.

 

Ana Bock (presidente do Conselho Federal de Psicologia) e a debatedora Albertina Costa (Fundação Carlos Chagas)

 

Uma ferramenta perigosa

A subjetividade, agora a do telespectador, também foi o assunto com que Ana Bock, presidenta do Conselho Federal de Psicologia (CFP), cativou as participantes (e os dois participantes) do Seminário, discorrendo sobre a dimensão psicológica, subjetiva, que faz parte da comunicação. A entidade de psicólogos trabalha com a questão há nove anos, participa do Fórum Nacional pela Democracia da Comunicação, elabora pareceres para o Ministério Público Federal e mantém coletivos que discutem o tema em 15 dos Conselhos Regionais de Psicologia. Atentos à subjetividade, sabem a relação que esta tem com todas as ferramentas culturais, incluindo a comunicação.

“O sujeito se constitui a partir do meio, da sua relação social, de sua inserção na cultura, do seu contato com as ferramentas que contêm humanidade, com o que os humanos anteriores fizeram, humanizando um mundo que não era humanizado”, explica a professora. “Daí a importância de todas as ferramentas culturais, sendo a linguagem uma das principais, pois se molda o pensamento com ela; mas todas são importantes, tudo vai constituir subjetividade. A mídia é uma das ferramentas culturais, uma presença bastante forte na vida de todos nós, em especial na vida das crianças”.

 

Ora, todos sabem a importância da infância na formação do sujeito, e sabemos o lugar privilegiado da televisão na vida das crianças brasileiras. “A mídia carrega uma série de informações, valores e modelos de conduta, e a criança tem poucos recursos para enfrentar essa ferramenta, assim como tem poucos recursos para enfrentar uma tesoura, uma faca afiada, uma tomada. Isso significa que ela corre riscos quando se põe frente a essas ferramentas sem que tenha sido educada para isso, preparada para isso, sem que tenha recursos psicológicos, internos, para dialogar, para receber, para devolver, sistematizar informações”, explica Ana Bock.

A democratização da comunicação também é prioridade. “Há pouca diversidade, só interesses de grupos específicos, ninguém pensa que é concessão, que é um bem público. Não estamos preparados para entender a mídia de outra forma. Também os adultos são carentes de recursos para enfrentar uma mídia concentrada como a nossa”. A psicóloga utilizou o exemplo da concessão de linhas de ônibus, que toda a população entende como um bem público. O Estado outorga a concessão a uma empresa que tem os veículos e se faz um acordo sobre os trajetos, existe uma série de especificações e condições de utilização. Existe um controle sobre o sistema.

Outro aspecto levantado por Ana Bock é a invisibilidade de determinados segmentos da população ou sua representação subalterna, distorcida, estereotipada. “A mídia precisa garantir o auto-reconhecimento social. Temos um país com a mesma língua, mas muitos sotaques, alguns absolutamente esquecidos na mídia, outros nos lugares da subalternidade”. Lembrando que até há pouco tempo era imprescindível falar como paulista ou carioca para estar na TV, ou se faziam cortes de temas e até de pressupostos símbolos nas edições de programas, a psicóloga explicou como essa negação fragiliza as pessoas. “Pela insistência, o sujeito passa a se identificar com outras figuras que não são a dele. De tanto receber uma informação, a pessoa passa a não poder valorizar a cor da sua pele, a sua história, o seu corpo, a história do seu povo.”

“Alguém controla a informação que é passada?”

“Há alguém no controle? Ou hoje não há controle e nós queremos instituir um controle?”, pergunta a psicóloga. “Obviamente há um controle posto, mas ele é individual, no sentido de que pequenos grupos de interesse controlam a mídia. Queremos modificar a forma de controle, queremos mudar a amplitude do consenso. Hoje o consenso que é veiculado é o consenso de alguns grupos familiares no Brasil. Queremos que o consenso possa ser mais amplo, inclusive um lugar de embate, não queremos apenas substituir. Nossa questão deve ser de quantas subjetividades estão tomando a decisão, produzindo o consenso”.

Sobre o controle também falou Adriana, do MPF. “Muitos autores dizem que existem controles sim, mas a meu ver não é esse sobre o qual a gente fala”. Ela cita o Conselho de Comunicação Social do Congresso, que em sua avaliação não pode ser entendido como controle público; autores apontam também o controle administrativo feito pelo Ministério da Justiça, que tem a ver com a classificação indicativa, que até agora não tem tido efeitos satisfatórios. “E outro controle que eles apontam é aquele feito pelas próprias emissoras, que a meu ver é bem insuficiente, pois elas não realizam de fato esse tipo de controle. Há realmente falta de transparência das emissoras com o público e falta de diálogo com a sociedade”.

Questionada sobre o controle pelo MP, Adriana Fernandes faz questão de ressaltar que não é essa a missão do Ministério, e sim defender os direitos do cidadão e ajuizar ações contra as violações de direitos humanos. Exemplos de ações movidas pelo MPF, em parceria com organizações sociais, foram citados pela procuradora. A começar pela mais conhecida vitória deste movimento, o direito de resposta conquistado no horário do extinto programa de João Kleber, na Rede TV. Conta que têm ajuizado ações públicas na questão sobre a classificação indicativa, estando em curso no momento uma ação contra o SBT. Lembra também a ação encabeçada pelo Instituto Patrícia Galvão, Observatório da Mulher e outras organizações, que fizeram uma representação junto ao MPF, questionando a imagem da mulher que as televisões veiculam, considerada uma ação não muito típica.  O MP defende o direito da sociedade, segundo ela, mas também é um órgão fiscalizador das ONGs; então, todas as demandas que chegam ao MP são submetidas a uma análise para se constatar sua procedência ou não.

A sociedade tem o direito de exigir as condições, de especificar seus interesses, acredita Ana Bock, algo que deve ser feito de maneira organizada, pela parcela social organizada. Defende também a pluralidade das representações, para que o consenso seja fruto do embate de diferentes visões. E levanta a questão da educação, já que, queiramos ou não, toda televisão é “educativa”, competindo inclusive com a escola, principalmente para a maioria das crianças e adolescentes.

“Toda televisão é educativa, e este é o problema. Porque todas elas estão educando para uma determinada direção de sujeito, para determinada sociedade com um tipo de relação social, para determinados valores, todas elas, e essa deve ser a nossa grande questão. Que educação a nossa televisão está dando? Queremos, coletivamente, em um espaço de controle da sociedade, de controle sobre esse sistema, produzir o consenso sobre qual deve ser esta educação!”

Para a psicóloga, os movimentos organizados têm o direito de reivindicar cada tipo de representação nos meios de comunicação. “E terão de enfrentar outros grupos que têm diferentes visões. Mas é do embate, do diálogo e da produção de consenso que vamos tirar a possibilidade de controle sobre o sistema”.

Debate amplia e acrescenta polêmicas

Albertina Costa, da Fundação Carlos Chagas e debatedora nesta mesa, fez a ponte com a mesa da manhã, que abordou a TV pública, retomando questões complicadas e polêmicas.

“Acho que a gente não compartilhou muito a contradição do Lalo com a Ivana Bentes, da
Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nós não conversamos sobre o financiamento privado da TV pública; eu tenho impressão que existe um acordo sobre o financiamento, desde que ele não resulte em anúncio, em imagens, em vendas de produtos”.

Albertina referia-se à posição externada pelo professor Lalo, retomando o tema da primeira mesa. “Do meu ponto de vista é um equívoco colocar propaganda comercial na TV pública, vender produtos comerciais na TV pública é destruir a TV pública. Gradativamente você começa a colocar a lógica do mercado sobre a lógica da cidadania, sobre a lógica da prestação de serviço público. Vai haver um departamento comercial que vai perceber que, se baixar um pouco o nível da programação, colocar um programa mais 'popularesco' ali vai dar mais dois pontinhos, e aí outro paga; é a pressão do vendedor, do contato de publicidade. Gradativamente o departamento comercial passa a subordinar a programação. Isto é um processo natural. (...) A segunda questão é a da linguagem. Quando se começa a colocar anúncio comercial na televisão pública, sua linguagem, que tem que vender rapidamente, pegar a pessoa pela emoção e não pela razão, esse ritmo do comercial começa a contaminar a programação. (...) O comercial contamina a linguagem e finalmente você não pode pensar em uma televisão pública que estimula o consumismo”.

“Agora de tarde”, continuou Albertina, “Lalo falou que o tema [
criar uma lei ou órgão regulador para a TV] é mais espinhoso que o da TV pública. Ficamos encantados pela Ivana de manhã, quando falou sobre o necessário aperfeiçoamento de nossa tecnologia participativa. Para ela, os limites da democracia representativa estão dados, então teremos que inventar uma outra coisa. Como é a composição dos organismos de controle?”

“Na verdade, temos leis que não são cumpridas! Uma coisa é pensar que leis queremos? Uma coisa é o que desejamos, outra é o que fazer, agora, com a legislação presente? Tanto Lalo como Adriana nos dizem que há instrumentos legais para interferir. Alguns não são aplicados. Dentro do arcabouço vigente, o que poderíamos fazer? Como utilizar melhor os instrumentos que já temos?”

"Como melhorar nossa engenharia participativa? O CNDM (Conselho Nacional dos Direitos da Mulher), do qual faço parte, está sendo reformulado. Quem representa quem no Conselho? É uma discussão muito complicada. Nós falamos aqui também de maneira redutora: 'o representante do movimento negro', 'o representante do movimento ecológico'; tem 'trocentos' movimentos ecológicos, trezentos movimentos de mulheres, não sei quantos movimentos negros, sindicais, associações, é complicado, é muito complicado. E quem escolhe o representante?”

Fiscalizar estrutura, além do conteúdo

Ivana Bentes voltou a falar da democracia representativa, dizendo estar preocupada com a sociedade desorganizada, pois considera que as organizações não dão conta de representar a todos. Rejanne Soares, do Coletivo de Negras Feministas da Amazônia, partilhou desta preocupação, sobretudo em relação às mulheres distantes dos grandes centros, especialmente as negras e indígenas. “Só faremos controle social quando entendermos como funcionam as coisas. É preciso criar estratégias para chegarmos coletivamente ao domínio desse poder”.

Bia Barbosa e Michelle Prazeres, do Intervozes, trouxeram novamente o debate para a questão do órgão regulador e para a importância de fiscalizar também as estruturas do sistema de comunicação brasileiro, não apenas o conteúdo de sua programação. A primeira deficiência, segundo Bia, é a pulverização dos organismos do próprio Estado que cuidam da comunicação. A jornalista lembrou da Anatel, agência reguladora que acabou se concentrando nas telecomunicações, “esquecendo” de fiscalizar a radiodifusão; do Conselho Nacional de Comunicação, previsto pela Constituição de 1988, que demorou para sair do papel e hoje não funciona por falta de quorum. Citou como exemplo das “barbaridades” que acontecem o fato de 36 rádios em São Paulo (de um total de 39!) estarem com suas outorgas vencidas.

O Intervozes está inclusive movendo ação civil pública contra três emissoras de televisão de São Paulo, cuja veiculação de publicidade ultrapassa em muito (cerca de 80%) o limite permitido. Michelle colocou a necessidade de estarmos preparadas para responder as acusações de censura e de  aprofundarmos a questão sobre qual modelo de controle social queremos.

Lurdinha Rodrigues, da Liga Brasileira de Lésbicas, retomou a discussão do ECA, com informações sobre o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, do qual já fez parte, e onde foi muito difícil colocar em pauta a questão da mídia. O aspecto do auto-reconhecimento, da importância da visibilidade de todos os sujeitos políticos na mídia foi outro ponto destacado por Lurdinha.

Educação para a mídia

Janaína Oliveira, da Na Mira Produções, do Rio de Janeiro, ressaltou a questão da influência da publicidade e da programação sobre as crianças, e da importância do educar para a mídia. Ana Veloso, do Centro de Mulheres do Cabo (PE) criticou a postura dos jornalistas, hoje bastante despolitizada e com visão patronal, já que a regulamentação deve ser do sistema, mas passa pelos profissionais.

Rachel Moreno, do Observatório da Mulher, trouxe para a roda a questão do consumo e do meio ambiente e posicionou-se em relação à sustentação da TV pública. “Se a publicidade sustentar também a TV pública, onde vamos discutir a publicidade? Por que não discutimos a criação de um fundo que sirva para sustentar a TV pública, o controle social, ou a educação para a mídia?”

Lalo relatou que na Inglaterra há um recente movimento para se investir na “alfabetização para a mídia”. Com a grande inovação tecnológica, as novas formas de áudio e vídeo, as legislações dos países europeus estão sendo constantemente revistas, com a participação das emissoras, diz o professor, o que comprova uma vez mais o nosso atraso na questão. Adriana lembra que nos EUA a maioria das ações são propostas pela sociedade civil; ela acha que aqui avançamos bastante, e cita como exemplo a Campanha contra a Baixaria.

Quanto à TV pública, o professor acha que ela deve ser independente do mercado, sustentada por uma “cesta de financiadores”, com participação do Estado, que pode, por exemplo, cobrar aluguel pelo uso do espectro eletromagnético e reverter para um fundo. “O limite de contato com o mercado por parte da TV pública deve ser o apoio cultural”, defende Lalo.

* Terezinha Ferreira é jornalista e integrante do Observatório da Mulher.

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
 

Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

§ 1º - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.

§ 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

§ 3º - Compete à lei federal:

I - regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada;

II - estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.

§ 4º - A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias estará sujeita a restrições legais, nos termos do inciso II do parágrafo anterior, e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios decorrentes de seu uso.

§ 5º - Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.

§ 6º - A publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de autoridade.

Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:

I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;

II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;

III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;

IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.


Acesse aqui alguns destaques das exposições e imagens da mesa sobre controle social da mídia

 

Realização: Instituto Patrícia Galvão

Apoio: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres / Fundação Ford
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  Pesquisa Ibope
Instituto Patrícia Galvão
2006
   
 

§ 51% conhecem ao menos uma mulher que é ou foi agredida pelo companheiro

§ 33% apontam a violência contra a mulher dentro e fora de casa como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade

§ 64% acham que o agressor deveria ser preso

§ 75% consideram que as penas aplicadas em casos de violência contra a mulher são irrelevantes

§ Nove em cada 10 mulheres lembram de ter assistido ou ouvido campanhas contra a violência à mulher na TV ou rádio
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