Campanha 2006
Contra a Violência à Mulher
Homem é o alvo em nova campanha contra a violência
à mulher
Campanha do Instituto Patrícia Galvão é lançada no momento em que o
telefone 180, de ajuda à mulher, passa a atender 24 horas, todos os
dias, em todo o país
Homem que bate machuca a mulher, os filhos e ele mesmo. Este é o
slogan da campanha contra a violência à mulher que começa a ser exibida
por 118 emissoras afiliadas da Rede Globo e pela TV Cultura. São dois
filmes institucionais – “medo” e “tapa” – com duração de 30 segundos
cada um.
Sem mostrar cenas de violência, os filmes são de grande impacto e foram
pensados para serem vistos por toda a família. O primeiro mostra o
pânico nos olhos da mulher e dos filhos a cada gesto do pai, ameaçador e
não identificado, que pega o adoçante na mesa do café ou procura as
chaves para sair. Mesmo o cachorro se encolhe à sua passagem.
No segundo filme, o casal de crianças que assiste a TV na sala se agarra
e se contorce a cada grito, misturado com sons de tapas e objetos
quebrados que vêm do quarto dos pais.
A intenção é mostrar que a violência do homem machuca não só a mulher,
mas também os filhos e a ele próprio. Pesquisa Ibope/Patrícia Galvão, de
2004, constatou que a maior preocupação da maioria dos homens (61%),
agressores ou não, é com os danos que a violência traz para os filhos.
Também na pesquisa, 16% dos homens disseram achar que são eles quem mais
perdem quando há violência em casa. Outro dado, que mostra ainda a
grande resignação da mulher, é o de que só 14% delas afirmaram se sentir
as maiores perdedoras quando sofrem violência.
Disque 180 agora atende dia e noite
Esta é a terceira campanha realizada pelo Instituto Patrícia Galvão
contra a violência à mulher e a segunda delas que busca colocar o homem
no centro desse debate. “Homem que é homem, não bate”, diz a voz do
locutor. “Ligue 180. Não se cale.”
O pedido às mulheres para que não se calem é destacado no momento em que
a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, do governo federal,
amplia os serviços de atendimento pelo telefone 180. Há uma semana, a
Central de Atendimento à Mulher vem operando 24 horas por dia, com 20
ramais e 59 atendentes. Pela primeira vez no país, as mulheres têm um
socorro, dia e noite.
De qualquer telefone, público, fixo ou celular, a qualquer hora e de
qualquer lugar do país, mulheres e homens podem ligar pedindo ajuda,
denunciando a violência. Basta discar 180, sem custos nem necessidade de
fichas ou cartões. Acredita-se que um maior número de violências possa
estar ocorrendo à noite, nas madrugadas e nos finais de semana.
Desde que foi inaugurada em 25 de novembro passado, a Central vinha
funcionando entre 7h e 18h40, de segunda à sexta, com cinco atendentes.
Na fase experimental, o serviço recebeu 17.991 ligações. A quase
totalidade dos telefonemas foram feitos por mulheres (82,67%). As
ligações, na sua maioria, partiram de pessoas que fizeram apenas o
ensino fundamental (39%). Proporcionalmente às suas populações, foram o
Distrito Federal, Goiás, São Paulo, Rio e Sergipe que mais fizeram
chamadas.
No total, 39% das ligações pediam informações gerais sobre leis, como
fazer denúncias, os serviços existentes. Em outras 38,4%, os usuários
buscaram orientações sobre serviços de ajuda nas regiões onde se
encontravam. E em 11% denunciaram alguma violência.
Esse primeiro balanço mostra ainda uma grande resistência da mulher em
falar da violência que sofre ou denunciar a violência que sabe ou vê. O
número de denúncias concretas, 1.957 em cinco meses, é quase nada perto
dos cerca de 2 milhões de casos por ano de agressão contra a mulher,
segundo pesquisa da Fundação Perseu Abramo.
Ensinando a ouvir vítimas da violência
A psicóloga Lenira Politano Silveira, da Casa Eliane de Grammont, da
Prefeitura Municipal de São Paulo, treinou as 59 mulheres que já estão
atendendo no 180. A Central fica em Brasília.
Trata-se de um atendimento delicado, onde não pode haver pressão nem
julgamento, diz a psicóloga. O importante é acolher, informar, orientar.
Entender que o fato de a mulher telefonar já significa um processo de
ruptura num ciclo de violência. “Em geral, ela está dando o primeiro
passo, e nós estamos ali para ajudá-la a dar o próximo, mesmo que não
seja na direção de uma separação.”
Muitas vezes, os conselhos que a mulher ouve à sua volta sugerem
resignação, que ela “pense nos filhos”, ou aceite que “sem ele será
pior”. “A decisão será tomada por ela, mas é importante mostrar que
aquela situação é injusta.”
Muitas buscam nas atendentes um aval para essa resignação, mas o fato de
encontrar alguém para ouvir fortalece a tomada de outras iniciativas.
Homem que bate precisa de castigo ou de ajuda?
A campanha “Homem que bate machuca a mulher, os filhos e ele mesmo” não
é uma resposta a essa pergunta – é a constatação de que as duas partes
precisam ser cuidadas, o que não significa impunidade. Os organizadores
entendem que não se pode mudar uma relação violenta quando se trabalha
exclusivamente com a vítima. “A campanha é um convite a uma mudança de
atitude do comportamento masculino frente à violência doméstica”, diz
Jacira Melo, uma das coordenadoras editoriais da campanha e diretora
executiva do Instituto Patrícia Galvão.
A atual campanha, esta em parceria com o Instituto Avon, é a terceira do
Patrícia Galvão contra a violência doméstica. A primeira delas, em 2004,
trazia o slogan Onde tem violência, todo mundo perde, e foi
endereçada especialmente aos homens. “A proposta era colocar os homens
no centro do debate sobre a violência doméstica”, diz Jacira Melo.
Encenada em um bar e num campo de futebol, os dois filmes mostram homens
questionando a violência de outros homens. Trata-se de um chamamento
para que saiam do comportamento masculino padrão de permanecer alheios
às agressões contra as mulheres. Sua família é como um time. Se tem
violência, todo mundo perde. A mulher que apanha, os filhos que
assistem, e você, diz o locutor.
Ao colocar o homem como responsável, tanto pelo problema como pela sua
solução, as campanhas reforçam a tese de que a violência precisa ser
tratada com a participação do agressor e da vítima. E com a participação
de todos os homens, agressores ou não. “Homens pelo fim da violência
contra as mulheres” é o slogan da Campanha Internacional do Laço Branco.
Mas no Brasil ainda são pouquíssimos os grupos e instituições voltados
para homens agressores.
A segunda campanha, de 2005, mostra mulheres que relatam acidentes
domésticos -uma queda na escada, entre eles-, para “explicar” no
trabalho e à família os hematomas deixados pelo marido. Chega de
esconder. Denuncie, diz o slogan.
A equipe
Como nas campanhas anteriores, a deste ano foi planejada depois de
semanas de debates e testes com grupos alvos, seguindo o padrão de
campanhas publicitárias de grande porte, voltadas para grandes
audiências.
Os parceiros neste trabalho estão entre as empresas mais conceituadas no
mercado. São Pública Comunicação, O2 Filmes, Instituto Opinião, Rebouças
& Associados, Singular Arquitetura de Mídia e o Centro de Educação para
a Saúde. O patrocínio é do Instituto Avon.
Maiores informações
Jacira Melo (Instituto Patrícia Galvão) tel.: (11) 9212.3691 / 3266.5434
Marisa Sanematsu (Instituto Patrícia Galvão) tel.: (11) 9230.6200 /
3266.5434
Lenira Silveira, Casa Eliane de Grammont, tel. (11) 5549.9339 /
9375.7027
Instituto Patrícia Galvão - comunicação e mídia, tel.: (11) 3266.5434 /
3285-4951
www.patriciagalvao.org.br
Todos os filmes das Campanhas (2006, 2005 e 2004) podem ser “baixados”
através do Portal Violência Contra a Mulher,
basta clicar aqui.
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