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Estudo aponta que meninas
adolescentes já produzem mais conteúdo online
do que meninos da mesma idade
Stephanie Rosenbloon, The New York Times
O protótipo do gênio do computador na imaginação popular pálido,
desajeitado e homem não se manteve à altura da sua reputação. Pesquisas
mostram que entre os mais jovens usuários de Internet, os principais
criadores de conteúdo para a rede (blogs
e sites) não são mais como os Pistoleiros Solitários, personagens da
série Arquivo X. Pelo contrário, os ciberpioneiros
são meninas adolescentes, que vêm se mostrando muito efusivas nesse
campo.
"Muitos garotos não tem paciência para esse tipo de coisa", disse Nicole
Dominguez, 13 anos, cujos passatempos incluem o design de ícones,
layouts, animações e de páginas para outras
adolescentes no MySpace.
"É realmente difícil." Nicole posta seus
gráficos e seus próprios códigos para HTML e
CSS (ela é autodidata) nas paginas rosa e violeta do
Sodevious.net,
que sua mãe comprou para ela em outubro. "Se você fizer uma pesquisa
acho que vai perceber que os meninos raramente têm sites",
disse. "Na maioria, são as meninas que
possuem".
De fato, um estudo publicado em dezembro pela Pew
Internet & American
Life Project, concluiu que, dos usuários de
internet entre 12 e 17 anos, um número significativamente maior
de meninas têm seu blog (35% de garotas,
comparados com 20% de meninos) e criam ou trabalham em suas próprias
páginas (32% de meninas, frente a 22% de meninos).
As garotas também deixam os meninos para trás quando se trata de criar
ou trabalhar em sites para outras pessoas e criar perfis em redes de
relacionamento social (70% de garotas de 15 a 17 anos, frente a 57% de
garotos). A publicação de vídeos é a única área em que os meninos
superam as meninas: eles são quase o dobro em relação às suas
contrapartes.
As explicações para esse desequilíbrio são quase tão variadas quanto as
próprias garotas do espaço virtual. Entre as meninas há
blogueiras que pontificam sobre os eternos
problemas de adolescência como "professores maus", a sensação de estar
sempre de castigo e aspiram se tornar futuras
Marthas Stewarts empresárias cujas
atividades online geram mais dinheiro do que
trabalhar como baby-sitter durante o verão. "Fui a
primeira podcaster adolescente a receber um
importante patrocínio", disse Martina Butler,
17 anos, que durante três anos vem gravando um show de música
independente, Emo Girl
Talk, no sótão de sua casa. Seu
primeiro patrocínio foi da Nature's Cure, um
remédio contra espinhas.
A partir daí, diversas empresas, incluindo a Go
Daddy, provedora de hospedagem e domínio na
internet, pagaram para serem mencionadas nos
podcasts de Martina, que são postados todos os domingos no
site Emogirltakl.com.
"Realmente está crescendo", disse Martina, que aspira ser apresentadora
de rádio e TV, radiante ao saber do estudo da Pew.
"Não me surpreende porque as garotas são muito criativas, às vezes mais
criativas do que os homens. Somos arrojadas. E os meninos..."(e
ela pára por aí para concluir com uma risada).
Essa tendência de domínio feminino na área de criação de conteúdo surgiu
há alguns anos. Um estudo da Pew publicado
em 2005 concluiu que as adolescentes eram as principais criadoras de
conteúdo. Mas a defasagem entre os dois sexos, particularmente em nos
blogs, ampliou. Como o número de
blogueiros adolescentes dobrou de 2004 para
2006, quase todo esse crescimento foi por causa da "atividade cada vez
mais intensa das meninas", diz o estudo da Pew.
As conclusões da pesquisa têm implicações que vão além dos
blogs, segundo a Pew,
porque estes "têm mais probabilidade de se engajar em outras atividades
de criação de conteúdo do que os adolescentes que não se dedicam a
blogar".
Embora as garotas há anos venham tendo um desempenho superior aos dos
meninos em leitura e escrita, segundo o Centro Nacional de Estatísticas
em Educação, isso não se traduz automaticamente numa ânsia coletiva para
criar um blog ou ter uma página no
MySpace. Em vez
disso, afirmam alguns desses estudiosos, as meninas vêm predominando na
criação de conteúdo online porque ambos os
sexos sofrem a influência das expectativas culturais.
"As meninas são treinadas para criar histórias sobre elas mesmas", disse
Pat Gill,
diretora interina do Instituto de Pesquisa em Comunicação na
Universidade de Illinois. "Desde muito cedo
elas aprendem que são objetos, de modo que aprendem como se descrever.
Historicamente o que se espera é que elas sejam sociáveis, atuem em
comunidades e sejam hábeis nas artes decorativas. "Os
meninos, acrescentou, em geral são ensinados a "assumir posturas que não
sejam confessionais nem emocionais".
Pesquisas da Faculdade de Direito de Harvard envolvendo grupos de
discussão e entrevistas com jovens entre 13 e 22 anos indicaram que as
práticas online das garotas tendem a
envolver o seu desejo de se expressarem, e de colocar à mostra
especialmente sua originalidade. "No caso das meninas, é como elas se
expressam para os outros, da mesma maneira que usam determinadas roupas
para ir à escola", disse John Palfrey da
universidade. "Isso está associado a uma expressão da identidade no
mundo real".
Esse desejo fica mais evidente quando as meninas criticam imitadores
online, que basicamente roubam seus gráficos
e papéis de parede para páginas na internet
(ligando à imagem de outra pessoa, de modo que eles aparecem na página
dessa pessoa na web). Isso é o equivalente
digital a alguém chegar numa festa usando o mesmo vestido que uma outra
garota, disse o professor Palfrey.
Embora a criação de conteúdo permita às meninas aprenderem como desejam
se apresentar para o mundo, elas também estão, obviamente, interessadas
em manter e forjar relacionamentos.Quando Lauren
Renner, 16 anos, estava no quinto ano, ela e
sua amiga, Sarada Cleary, hoje com 14,
começaram a escrever sobre as suas vidas no
Agirlsworld.com,
site interativo de jovens com artigos escritos por e para
meninas.
"Garotas de todas as partes liam e perguntavam sobre como deviam
resolver um problema", disse Lauren. ""Acho
que as meninas gostam de ajudar quando outras pessoas têm problemas,
algo do tipo maternal".
Hoje Lauren e Sarada estão entre as mais de
mil meninas que regularmente fornecem conteúdo para
Agirlsworld. Elas conseguem um dinheiro extra escrevendo artigos
online e imaginando atividades para as
férias, como também receitas para o café do Dia das Mães, que são
postadas nos sites. "Na escola existe apenas um certo tipo de pessoas",
disse Sarada. "Online você pode entrar em
contato com outras culturas."
A única área em que os meninos superam as meninas é na postagem de
vídeos. Não porque as meninas não sejam usuárias capacitadas da
tecnologia, disse o professor Palfrey.
Segundo ele, isso, com freqüência, têm a ver menos com a expressão
pessoal e mais com o desejo de impressionar os outros. É a maneira ideal
para membros de uma subcultura, dos
skatistas, dos praticantes de
snowboard, demonstrar sua capacidade
atlética, disse ele.
Para Zach Saltzman,
17 anos, de Memphis, a criação de conteúdo
entre seu círculo de amigos significa apenas um perfil no
Facebook e a postagem de vídeos de jogos e
filmes no YouTube. "Na verdade nunca pensei
em criar meu próprio website", disse ele.
"Nunca me interessou e não tenho tempo para ficar acompanhando.
"Indagado se achava exatas as conclusões da pesquisa da
Pew, Zach
respondeu que "é o que estou vendo
acontecer". |