Autoridades do governo federal, parlamentares, conselheiras e
representantes da sociedade civil compareceram à solenidade no Palácio
do Planalto
A eleição das 40 integrantes do Conselho Nacional dos Direitos da
Mulher (CNDM) para o biênio 2008-2010 ampliou a representação de
entidades da sociedade civil. Passam a integrar o pleno, organizações
de caráter sindical, associativo, profissional ou de classe, além das
redes e articulações feministas e de defesa dos direitos das mulheres
que já participavam. Outra inovação foi o processo de votação
democrático, todas as instituições habilitadas puderam escolher as
entidades candidatas pela internet.
A solenidade de posse ocorreu nesta quinta-feira (05/06), no auditório
do Palácio do Planalto, com cerca de 200 pessoas presentes. A
cerimônia foi instalada com execução do Hino Nacional na voz de Teresa
Lopes e homenagem à ex-conselheira Maria Ednalva Bezerra de Lima,
falecida no ano passado, cuja imagem, ao lado da ativista feminista
Schuma Schumaher, foi projetada em tela.
O termo de posse foi assinado pela ministra Secretaria Especial de
Políticas para as Mulheres (SPM) e presidente do CNDM, Nilcéa Freire,
e pela conselheira Estela Aquino, da Associação Brasileira de
Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco). Compuseram a mesa de
autoridades: a ministra Nilcéa Freire e a secretária-adjunta Teresa
Sousa, da SPM; o ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da
Presidência da República; a deputada federal Sandra Rosado,
coordenadora da Bancada Feminina na Câmara dos Deputados; as
conselheiras pelo notório conhecimento das questões de gênero Clara
Charf e Albertina Costa; e a secretária-executiva do CNDM, Susana
Cabral.
Notório conhecimento
Porta-voz das conselheiras, Clara Charf considerou como
avanço o momento atual do CNDM, creditando à gestão da SPM a
consolidação da atuação do conselho. “Respeito o trabalho, desde 1985,
das mulheres que queriam transformar a sociedade. Mas agora está mais
fácil, o país avança. Nada aconteceu nessa Secretaria sem o dedo das
mulheres. Estamos orgulhosas de poder continuar esse trabalho”, disse
Clara Charf.
Ensinamento freiriano
Lembrando uma passagem de sua convivência com o educador
Paulo Freire, o ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da
Presidência da República, destacou que as classes populares precisam
se apropriar de conhecimentos há séculos negados e os conselhos
permitem o acesso a informações do Estado e participação social nas
decisões e formulação de políticas públicas. “O que muda a qualidade
da política é a participação social. O que fazemos nos conselhos é uma
reforma profunda na estrutura do Estado, tornando-o realmente
democrático”, afirmou Dulci.
Avanços e conquistas
A ministra Nilcéa Freire ressaltou o envolvimento do CNDM no
processo da I Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (CNPM),
na implementação do I Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (I
PNPM) e na revisão dele que resultou no II PNPM. “As conselheiras
trabalham também fora das reuniões, nas suas bases. A disputa é feita
palmo a palmo e por cada uma das conselheiras”.
Nilcéa considerou que o conselho precisava não somente de uma reforma,
mas de uma reestruturação. “Hoje temos a representação de diversos
setores da sociedade, não somente dos movimentos feminista e de
mulheres. Isso possibilita a ampliação do diálogo. O Conselho terá
mais autonomia a partir do novo regimento interno e reserva
orçamentária específica para o trabalho das comissões”, anunciou a
ministra.
No discurso, Nilcéa Freire também cumprimentou a conselheira Albertina
Costa pelo empenho na revisão do CNDM e sinalizou como desafio para a
nova gestão a formação de rede de conselhos estaduais e municipais de
direitos da mulher.
---Divulgado no site da
SPM, 06/06/08.