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Mulheres e Poder
Dirigentes femininas vão estabelecer plataforma
para partidos políticos na próxima eleição
Esta foi a principal resolução do Fórum de Instâncias de Mulheres de
Partidos Políticos, que ocorreu na última terça-feira
A elaboração de uma plataforma política das mulheres nas questões de
gênero e raça para orientação de candidatos a prefeitos e vereadores nas
eleições deste ano foi a principal resolução do Fórum de Instâncias de
Mulheres de Partidos Políticos, cuja reunião ocorreu nesta terça-feira
(22/04), em Brasília. A proposta é agregar as demandas das mulheres em
temas de interesse comum como educação inclusiva na perspectiva
anti-racista e anti-sexista, saúde, direitos sexuais e reprodutivos,
entre outras áreas de grande impacto na vida da população feminina.
O encontro foi aberto pela ministra da Secretaria Especial de Políticas
para as Mulheres (SPM), Nilcéa Freire, e deu seqüência à articulação
iniciada, no ano passado, às vésperas da II Conferência Nacional de
Políticas para as Mulheres (II CNPM). Em sua saudação, Nilcéa referendou
o eixo V do 2º Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, que prevê
uma série de ações para aumentar e fortalecer a participação das
mulheres, inclusive negras e indígenas, nos espaços de poder e decisão.
Ações do Fórum
Em razão da proximidade das eleições municipais, o Fórum se
reunirá novamente no dia 21 de maio, em Brasília, quando deverá ser
aprovada a plataforma das mulheres para os partidos políticos.
O incentivo à entrada de novas mulheres na política e às candidaturas
femininas também são metas a curto prazo. Para isso, a SPM propôs a
realização de campanha publicitária em rádio e TV para incentivar
mulheres a se candidatar nas eleições municipais de outubro e
capacitação e treinamento de candidatas ao pleito de 2008. A campanha
será suprapartidária e estimulará mulheres a ingressarem nas agremiações
políticas e se candidatarem a cargos executivos e de representação.
Com a convocação do Fórum feita pelo governo federal, diferentes
vertentes políticas consideram viável a discussão de uma agenda de
trabalho comum através do Fórum de Instâncias de Mulheres de Partidos
Políticos por compreenderem se tratar de um espaço superior a interesses
partidários. Na segunda reunião do Fórum, compareceram dirigentes
femininas do PMDB, PTB, PDT, PT, PC do B, PSB, PSDB, PPS, PP e PTN, além
do Comitê Suprapartidário de Mulheres.
Mulheres no poder
A presença das mulheres nos espaços de decisão e poder é uma
preocupação mundial. Na IV Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada
em 1995, dois objetivos estratégicos apontam a necessidade de medidas
para promover a igualdade de acesso às estruturas de poder e ao processo
de decisão, assim como o aumento de oportunidades para que as mulheres
ocupem posições de chefia e decisão.
Em 1997, recomendação do Comitê para a Eliminação de todas as Formas de
Discriminação contra a Mulher expressava preocupação da eficiência e
impacto do sistema de cotas para a participação das mulheres na vida
política, tendo em vista a sub-representação em todas os níveis e
instâncias de tomada de decisão política.
De acordo com levantamento divulgado pela organização internacional
União Interparlamentar, o Brasil ocupa a 146ª posição em um ranking
sobre a participação das mulheres nos parlamentos de 192 países. Segundo
pesquisa do Estado/Ipsos, de janeiro deste ano, 67% dos brasileiros
acham que uma presença mais forte do público feminino melhoraria o nível
da política no País. No entanto, a efetivação do voto decresce de acordo
com a importância do cargo eletivo. De um extremo ao outro: 80% do
eleitorado brasileiro votaria numa mulher para vereadora e 69%, para
presidenta da República. |