Treinamentos de Mídia
O objetivo principal dos treinamentos de mídia é aprimorar a fala pública
de lideranças e seu desempenho na mídia ao debaterem questões relevantes e/ou
polêmicas e defenderem seu posicionamento político diante dos diversos
veículos de comunicação de massa, de modo a influenciar o debate e a
formação da opinião pública.Treinamento-piloto sobre ações afirmativas e a política de cotas
Treinamentos para Lideranças do Movimento de Mulheres Brasileiras pela Saúde
Treinamento para Coordenações Regionais da ABONG
Treinamento para Fóruns de
Mulheres da AMB
Treinamento-piloto sobre ações afirmativas e a política de cotas
É importante destacar a qualidade da parceria estabelecida com o Geledés -
Instituto da Mulher Negra, em particular com a coordenadora de comunicação
Nilza Iraci. Em diálogos preliminares sobre a proposta geral do treinamento e
sua metodologia, surgiu a idéia de realizar um treinamento-piloto em São
Paulo, entre os dias 15 a 17 de maio de 2003.
Esta idéia resultou benéfica para ambas instituições. Da parte do Instituto
Patrícia Galvão foi uma excelente oportunidade de teste, para eventuais
ajustes da metodologia. E, para o Geledés, respondeu à necessidade de
desenvolver um projeto, já em pauta, de treinamento para ativistas do movimento
negro de diferentes estados brasileiros, sobre o também espinhoso tema do
racismo, abordando as questões polêmicas das políticas de ações afirmativas
e de cotas.
O treinamento-piloto teve como objetivos: treinar lideranças dos movimentos
pelos direitos civis para aprimorar sua fala pública e sua capacidade de
debater na mídia sobre questões de ação afirmativa e a política de cotas
nas universidades e cargos públicos; desenvolver a capacidade dessas ativistas
de influenciar a opinião pública brasileira.
Para o desenvolvimento desse treinamento-piloto, o Instituto Patrícia Galvão
contou também com a assessoria de Fernando Pacheco Jordão (diretor de TV e
especialista em linguagens e técnicas televisivas) e Raphael Salomão
(radialista).
Programa do treinamento-piloto: Intercâmbio entre organizações que lutam
pela promoção da igualdade racial e de gênero
1º dia
Boas-vindas - Apresentações das participantes - Introdução sobre o
curso - O desafio de falar para a mídia - Debate sobre o desafio de falar para
a mídia - Intervalo - Carrossel: respostas rápidas para perguntas difíceis -
Lições aprendidas no Carrossel - Nossas audiências - Preparação de
perguntas para coletiva de imprensa - Coletiva de imprensa - Comentários da
coordenação sobre a coletiva - Debate aberto a partir da ótica dos argumentos
- Encerramento do 1º dia.
2º dia
Melhores momentos do 1º dia - Como escrever frases de efeito -
Apresentação de cada subgrupo e comentários - Como escrever cartas de
leitores - Leitura das cartas - Estratégias de reação a uma notícia adversa
- Apresentação coletiva das estratégias - Introdução sobre a linguagem de
rádio - Entrevistas para rádio - Apresentação das gravações e comentários
- Encerramento do 2º dia.
3º dia
Melhores momentos do 2º dia - Introdução sobre a lógica da mídia -
Cinco minutos de entrevista com 5 voluntárias - Exibição das entrevistas -
Uma entrevista após as lições aprendidas - Preparação para participar de um
programa de debate na TV - Programa de debate na TV - Exibição e comentários
- Devolução das avaliações, entrega de certificados - Encerramento.
Treinamentos de Mídia para Lideranças do Movimento de Mulheres Brasileiras
pela Saúde
Apoio: IWHC - International Women's Health Coalition
Este foi o projeto inaugural do Instituto Patrícia Galvão. O público-alvo
privilegiado foi composto de feministas que lutam pelo direito ao aborto e
ativistas que trabalham com questões da saúde, direitos sexuais e direitos
reprodutivos, com perspectiva de intervir na mídia em favor da
descriminalização.
As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil foram escolhidas como
locais privilegiados para as atividades visando alcançar preferencialmente
ativistas com menor possibilidade de acesso a este tipo de capacitação. O
treinamento da região Nordeste aconteceu em Olinda/PE, de 30 de maio a 1º de
junho de 2003; o da região Norte foi realizado em Belém/PA, de 1 a 3 de
agosto; e o da região Centro-Oeste, em Goiânia/GO, de 15 a 17 de agosto.
A metodologia adotada inspirou-se na prática de aprendizado própria do
feminismo. Esta prática valoriza, sobretudo, a troca de experiências, a
reflexão coletiva e o desenvolvimento de laços de solidariedade, permitindo
refinar argumentos e o próprio pensamento político.
Esta metodologia foi adaptada e elaborada por uma equipe central de
coordenação, composta pela diretoria do Instituto Patrícia Galvão e
envolvendo diretamente Jacira Melo, Angela Freitas, Fátima Pacheco Jordão e
Marisa Sanematsu. A larga experiência dessas especialistas no campo da
comunicação e mídia permitiu desenhar um modelo de curso, que foi
particularmente inspirado na vivência de julho de 2002, na cidade de Puebla
(México), em treinamento coordenado por Catholics for a Free Choice/Washington
e Católicas pelo Direito de Decidir/México.
Contribuições e parcerias
Para o desenvolvimento do projeto Treinamentos de Mídia para Lideranças do
Movimento de Mulheres Brasileiras pela Saúde foram obtidas preciosas adesões
de sócias do Patrícia Galvão, que se interessaram por colaborar na montagem e
experimentação da metodologia, ou na coordenação dos treinamentos. Foi assim
que se deu a parceria com Nilza Iraci (Geledés - Instituto da Mulher Negra),
Márcia Laranjeira (SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia),
Estelizabel Bezerra e Gilberta Soares (Cunhã - Coletivo Feminista / Ponto Focal
Brasil da Campanha 28 de Setembro) e Michelle Lopes (Cfemea - Centro Feminista
de Estudos e Assessoria).
Foi fundamental a colaboração de organizações locais que disponibilizaram
infra-estrutura ou assumiram, através de funcionárias/os, tarefas técnicas ou
de apoio administrativo. Citamos as colaborações de Geledés (São Paulo); TV
Viva e SOS Corpo (Olinda e Recife); Fase, Fórum de Mulheres da Amazônia
Paraense, CEPEPO e Unicef (Belém); Transas do Corpo, Fórum de Mulheres de
Goiás e Cfemea.
A contribuição do grupo Católicas pelo Direito de Decidir/Brasil deu-se por
meio da tradução, publicação e distribuição do manual Como falar de Aborto
(de Frances Kissling, Catholics for a Free Choice), que fez parte do conjunto de
materiais didáticos utilizados nos treinamentos. A revisão do texto em
português foi contrapartida do Instituto Patrícia Galvão para viabilizar esta
publicação.
Objetivos
Os objetivos expressos no projeto Treinamentos de Mídia para Lideranças do
Movimento de Mulheres Brasileiras pela Saúde podem ser sintetizados em três
pontos:
* dar resposta à necessidade de formação de lideranças para interagir com a
mídia, fornecendo suporte para melhorar o impacto de suas ações;
* oferecer 3 treinamentos para um total de 61 ativistas da área de saúde da
mulher, direitos sexuais e direitos reprodutivos, para desenvolver e/ou
aprimorar sua fala pública no debate sobre aborto;
* oferecer, nesses treinamentos, exercícios práticos sobre intervenção na
mídia impressa, televisão e rádio de forma a aprimorar o desempenho em
entrevistas.
Avaliação
Os objetivos do projeto foram cumpridos, tendo sido oferecidos os 3 treinamentos
previstos, para um total de 61 ativistas da área de saúde da mulher, direitos
sexuais e direitos reprodutivos.
O desenvolvimento e adaptação da metodologia podem ser considerados um
sucesso, tendo significado um sério desafio para a equipe responsável pelo
projeto: seja coordenando os exercícios práticos (de mídia impressa,
televisão e rádio) e reformulando a metodologia à medida que ia sendo
experimentada; seja mobilizando parcerias para qualificar cada vez mais os
conteúdos; ou cuidando da complicada produção, para a qual foram também
fundamentais as parceiras e colaborações recebidas.
A realização do treinamento-piloto e a produção de materiais instrucionais -
que não estavam previstos no projeto original - foram ganhos fundamentais,
resultantes deste espírito de colaboração e soma de esforços em torno de uma
atividade considerada estratégica.
Alguns balanços recentes sobre as ações do movimento de mulheres no Brasil,
no que se refere à temática do aborto, têm mostrado uma perda daquele vigor
alcançado em 1997 (época da luta pelo Projeto de Lei nº 20). À luz desta
realidade, os treinamentos foram avaliados como oportunidades de revigoramento
deste campo. Levando-se em conta as especificidades de cada região, restou a
certeza de que as experiências vividas no Nordeste, Norte e Centro-Oeste
deixaram um rastro de motivação para que estas mulheres retomem, a partir de
outro patamar, os debates sobre as oportunidades, desafios e debilidades do
movimento de mulheres no campo do aborto.
Ficou comprovado que a metodologia experimentada é adequada e não somente para
tratar do tema do aborto. Ela se aplica ao trabalho com outros temas difíceis e
polêmicos, como o racismo, a violência contra as mulheres, a homofobia, a
bioética etc.
O Instituto Patrícia Galvão entende que as tarefas desafiadoras colocadas no
campo da comunicação política para a promoção dos direitos das mulheres
não podem ser enfrentadas isoladamente. Os treinamentos de mídia foram uma
oportunidade extraordinária para incentivar articulações locais e regionais
para incidir sobre a mídia, tendo como perspectiva influenciar o debate
público sobre aborto, direitos sexuais e reprodutivos.
Os treinamentos deixaram como lição futura a necessidade de construir pontes
entre as ações das organizações de mulheres, a fim de gerar ações
coletivas de impacto; para tanto, é preciso considerar com atenção o trabalho
junto à mídia.
Os exercícios dos treinamentos revelaram que as organizações precisam dedicar
mais tempo para a identificação de oportunidades de ações coletivas de
comunicação. A agenda política feminista precisa ser melhor potencializada.
Materiais didáticos
Um kit de materiais foi elaborado para compor as pastas distribuídas a cada
treinanda. Estes materiais serviram para apoiar as atividades didáticas e, com
especial ênfase, subsidiar o desenvolvimento de atividades futuras junto à
mídia e eventuais experiências de repasse dos conteúdos e metodologias
aprendidos. No conjunto este kit está composto por:
· O Caso PL 20/91 - Aborto legal no SUS
(pesquisa e edição de Marisa Sanematsu; 31 págs.) - Reúne argumentos
(favoráveis e contrários) sobre direito ao aborto publicados nos principais
jornais e revistas do país (O Globo, Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, O
Estado de S. Paulo, Veja e IstoÉ), por ocasião do debate a respeito do
Projeto de Lei 20/91. Aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da
Câmara Federal, esse projeto obriga o Sistema Único de Saúde a atender os
casos de abortos previstos no Código Penal brasileiro. Na ocasião, houve
intenso debate na mídia impressa e Jacira Melo realizou uma pesquisa nestes
principais veículos, produzindo um Dossiê. Marisa Sanematsu editou esta
pesquisa, acrescentando fontes adicionais, especialmente para os treinamentos.
· Como Falar do Aborto Provocado - Manual para
uma comunicação bem-sucedida (Frances Kissling,
CFFC, 50 págs.) - Este texto, publicado originalmente em inglês e depois em
espanhol, foi traduzido por CDD Brasil e editado para distribuição nos
Treinamentos de Mídia. O Instituto Patrícia Galvão contribuiu com a
revisão do texto em português. O manual contribui com uma rica metodologia
expressando perguntas e respostas que trazem elementos para a defesa dos
direitos sexuais e reprodutivos, em especial o direito ao abortamento.
· Caderno de Treinamento
(Instituto Patrícia Galvão, 23 págs.) - Apresenta a Programação do
Treinamento de Mídia - Intercâmbio entre Organizações que Lutam pela
Descriminalização do Aborto e reúne as dicas e roteiros dos exercícios
aplicados no treinamento. Estas dicas e roteiros foram elaboradas com base nos
conhecimentos e experiências da equipe central de coordenação. Sua aplicação
no Treinamento-Piloto (São Paulo/ maio de 2003) permitiu algumas adaptações.
No treinamento de Olinda este material foi distribuído passo a passo, a cada
exercício. Para Belém e Goiânia estas folhas foram reunidas num caderno de
consulta, distribuído junto com a pasta de trabalho.
Treinamento para Fóruns de Mulheres da AMB
Apoio: AMB (Articulação de Mulheres Brasileiras)
No 1º semestre de 2007
foram realizados quatro treinamentos de mídia, especialmente desenhados
para lideranças dos Fóruns de Mulheres vinculados à AMB das cinco
regiões do país. Foram treinadas 72 ativistas feministas nos seguintes
eventos :
-
5 e 6 de maio, em
São Paulo (para 20 participantes, das regiões Sul e Sudeste);
-
2 e 3 de junho, em
Fortaleza (para 13 participantes, das regiões Norte e Nordeste);
-
9 e 10 de junho, em
Natal (para 18 participantes, da região Nordeste);
-
16 e 17 de junho, em
Brasília (para 21 participantes, das regiões Centro-Oeste e Norte).
Uma parceria do
Instituto Patrícia Galvão com o Coletivo Leila Diniz, os Treinamentos de
Mídia foram elaborados em consonância com as atividades de formação da
AMB em violência contra as mulheres.
A metodologia adotada se inspirou na prática de
aprendizado própria do feminismo. Esta prática valoriza, sobretudo, a
troca de experiências, a reflexão coletiva e o desenvolvimento de laços
de solidariedade. Menos explorada pelo movimento de mulheres nos últimos
tempos, ela possibilita refinar argumentos e o próprio pensamento
político.
A realização dos
Treinamentos de Mídia aconteceu em um contexto de maior demanda para que
as lideranças feministas de todo o país ocupem espaços na mídia. A
partir da realização das Vigílias no 1º semestre de 2006, os Fóruns de
Mulheres dos diversos Estados já haviam conseguido ampliar a cobertura
da imprensa sobre a violência contra as mulheres. E desde setembro de
2006, com a entrada em vigor da Lei Maria da Penha, os meios de
comunicação de massa passaram a pautar o tema da violência doméstica
contra as mulheres com freqüência ainda maior.
Os Treinamentos foram
dirigidos a feministas dos Fóruns que têm dado entrevistas e participado
de outras intervenções na mídia (TV, rádio, jornais, revistas e
Internet).
É importante destacar
que, mesmo com a grande vitória conseguida com a Lei Maria da Penha, o
enfoque dos Treinamentos foi muito além. Assim, cada Treinamento de
Mídia constituiu uma oportunidade para:
-
provocar um processo
de avaliação deste período de maior exposição das vozes feministas
através da mídia e do relacionamento com jornalistas/veículos;
-
permitir uma
atualização coletiva de argumentos para uma melhor comunicação com a
sociedade, tendo como perspectiva a luta pelo fim da violência contra
as mulheres e a exigência de respostas do Estado no processo de
implementação da Lei Maria da Penha;
-
estimular a
construção de caminhos para pautar outros ângulos de abordagem sobre o
tema na imprensa local;
-
apresentar e
exercitar técnicas para um bom desempenho em situações de entrevistas
para TV, rádio, jornal e Internet.
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Instituto Patrícia Galvão - Comunicação e Mídia
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