|
|
Pela transparência e democracia nas
concessões de rádio e televisão
Informes Abong nº 401, 2 a 8/10/07.
|
|
No próximo dia 5 de outubro,
vence uma série de concessões de grandes emissoras de televisão,
entre elas, algumas da Rede Globo. Pela simbologia deste dia,
organizações e movimentos de todo o Brasil estão se articulando
em uma grande campanha para denunciar a terra sem lei que é o
modelo de outorgas e renovação das concessões de rádio e
televisão no Brasil e para reivindicar uma série de ações –
algumas imediatas –, que possam tornar este processo mais
transparente e democrático.
Hoje em dia, o processo de outorgas e renovações é feito a
portas fechadas, sem nenhuma participação popular e nenhuma
transparência. Não existem critérios explícitos – muito menos
democráticos – ou parâmetros para que as concessões, outorgadas
pelo Estado brasileiro em nome do povo, sejam avaliadas em
função de terem cumprido o compromisso público que seus/suas
administradores/as deveriam assumir quando as recebem. Muito
pelo contrário. O pouco que já existe em lei cria tantas brechas
que é impossível afirmar ilegal o mais irregular dos processos.
Termina, assim, por privilegiar a manutenção do poder nas mãos
de poucos/as, transformar as concessões em verdadeiras
capitanias hereditárias e dificultar a fiscalização por parte do
povo e do próprio Estado, que tem demonstrado omissão e
incapacidade de acompanhar os processos de vencimento das
outorgas.
A permissividade da legislação com as emissoras comerciais e a
morosidade do Ministério das Comunicações, Congresso e Casa
Civil – onde processos de renovação que deveriam tramitar em
alguns meses duram cinco anos ou mais e permitem que algumas
concessões estejam vencidas há quase 20 anos – não são as mesmas
verificadas em relação à comunicação comunitária. As rádios
comunitárias, expoentes do exercício do direito à comunicação,
são reduzidas a poucos canais no dial, enfrentam limites de
transmissão (apenas 1 km de raio), da potência dos aparelhos (25
Watts), nas vias de sustentabilidade (proibição de publicidade)
e de alcance (impedimento à formação de redes) que as colocam em
situação marginal.
O resultado desta distorção – que, em sua vertente de repressão,
tem como aliada a Anatel –, além da perpetuação do poder nas
mãos de seis famílias, que representam seis grandes grupos de
comunicação no país, e do sufocamento de formas de comunicação
alternativa que surgem como possibilidades de contra-hegemonia
neste cenário, é a falta de representatividade, pluralidade e
diversidade na mídia e uma programação que, muitas vezes,
criminaliza os movimentos sociais, perpetua o preconceito contra
pessoas negras e homossexuais, viola os direitos das mulheres e
os direitos humanos em programas que usam o espaço público para
obter audiência e lucrar.
Por tudo isso, o atual processo das concessões só favorece quem
já tem poder. O controle público sobre as concessões e suas
renovações é um dos instrumentos que poderia evitar a composição
desse quadro.
O momento em que vencem as concessões de algumas das grandes
emissoras do país é simbolicamente importante para exigir a
mudança desta situação. Por isso, é no dia 5 que movimentos e
organizações de todo Brasil vão às ruas para denunciar a
ausência de mecanismos de controle sobre as outorgas e
renovações, a falta de critérios democráticos e mecanismos de
fiscalização deste modelo e a morosidade na avaliação dos
processos, além de irregularidades que podem ser vistas a olho
nu: concessões para detentores/as de cargos eletivos (proibidas
por lei) e concessões de educativas, que são usadas como
comerciais.
Além de denunciar esse quadro, pedir de imediato o fim das
renovações automáticas, o estabelecimento de critérios
transparentes e democráticos para as outorgas e renovações e
ações imediatas de cumprimento da legislação que já existe
(limpeza do espectro com concessões vencidas e de localidades
que não sejam a de sua real abrangência e fim das concessões
para detentores/as de cargos públicos), a campanha reivindica a
participação popular nos processos de outorga, acompanhamento,
fiscalização e avaliação das concessões e a convocação e
realização da inédita conferência nacional de comunicação,
ampla, democrática e participativa, para a construção de
políticas públicas e de um novo marco regulatório para o setor.
Pede, também, ações de estímulo à comunicação comunitária, de
fortalecimento do sistema público de comunicação, com
financiamento público e gestão democrática e reorganização do
espectro para dar espaço igualitário às emissoras públicas.
A Abong encampa esta luta e se coloca ao lado dos movimentos e
organizações que estão, no Brasil, tentando construir as bases
para uma comunicação mais democrática, com participação popular
e sustentada em um sistema público de comunicação.
O dia 5 de outubro deve também dar início às movimentações em
torno da Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, que
com marco no dia 18, Dia Mundial pela Democratização dos Meios,
acontece anualmente para trazer a público questões centrais na
luta pelo direito à comunicação e que tem contado com o apoio e
a participação da Abong em suas diversas edições.
Saiba mais sobre a Campanha e participe das mobilizações:
www.quemmandaevoce.org.br e
www.abong.org.br. |
|
|
| |
|
|
| Pesquisa sobre Violência Contra a Mulher |
|
Pesquisa Ibope
Instituto Patrícia Galvão
2006§ 51% conhecem ao menos uma mulher que é ou foi agredida pelo
companheiro
§ 33% apontam a violência contra a mulher dentro e fora de casa
como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade
§ 64% acham que o agressor deveria ser preso
§ 75% consideram as penas aplicadas em casos de violência
contra a mulher são irrelevantes
§
Nove em cada 10 mulheres lembram de
ter assistido ou ouvido campanhas contra a violência à mulher na TV ou
rádio
Leia mais
 |
|