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Ednalva Bezerra: uma guerreira incansável
 

11/09/07

Os movimentos de mulheres, feminista e sindical perderam ontem (10/09/2007) uma de suas principais representantes, uma guerreira capaz de articular sua presença e intervenção nesses diferentes espaços, sempre na defesa dos direitos das mulheres, em especial das trabalhadoras brasileiras.

Publicamos a seguir a nota divulgada pela Cunhã, ONG paraibana que Ednalva ajudou a construir.
 

 
A Cunhã Coletivo Feminista vem, com tristeza, comunicar o falecimento de nossa querida companheira Maria Ednalva Bezerra de Lima, Secretária Nacional sobre a Mulher Trabalhadora da CUT (SNMT-CUT), em Campinas (SP), ontem à noite em decorrência de um quadro de meningite.

Maria Ednalva Bezerra de Lima, 48 anos, paraibana de Campina Grande, era professora licenciada em Letras com especialização em Educação. Militante de esquerda desde muito jovem, participava da Associação do Magistério Público do Estado da Paraíba (Ampep). Em 1984 teve participação ativa na organização da greve de 100 dias em seu Estado, por melhores salários e condições nas escolas públicas.

Além de sindicalista, Maria Ednalva foi uma grande contribuidora do feminismo na Paraíba e em especial de nossa organização. Em 1991, entrou para a Cunhã Coletivo Feminista, atuando na formação feminista de alunas normalistas e acompanhando grupo de reflexão feminista na instituição. Em seguida, passou a integrar a Coordenação Executiva da Cunhã, onde trabalhou por seis anos. Neste período, assessorou o Movimento de Mulheres Trabalhadoras do Brejo, sobretudo após a morte da sindicalista Penha Nascimento, por quem Maria Ednalva nutria forte admiração, colaborando para enfrentar os desafios daquela luta, com a morte de sua principal liderança.

Como integrante da Cunhã, fazia a articulação entre o feminismo e a militância no movimento sindical. Neste período, a Cunhã e a Comissão Estadual de Mulheres da CUT (a qual coordenava) estabeleceram parceria para o trabalho junto às trabalhadoras rurais paraibanas e de outros estados do Nordeste.

Coordenou a área de saúde da Cunhã entre 1996 e 1998. Foi imbatível lutadora pela implantação do Programa de Aborto Legal da Paraíba, atuando em ações de advocacy e sensibilização de gestores, profissionais de saúde e da opinião pública em geral. Integrou ainda a primeira versão do Comitê Estadual de Prevenção e Estudos de Mortes Maternas.

Sempre convicta do direito de decidir das mulheres, levou a discussão da legalização do aborto para o interior da Central Única dos Trabalhadores, desenvolvendo várias campanhas. Em 2005, representou a CUT na Comissão Tripartite, criada pela Secretaria Especial de Políticas Mulheres para propor um projeto de lei de revisão da lei punitiva do aborto no país. Também enfrentou a problemática da violência contra a mulher de forma contundente e a defesa pela liberdade de expressão sexual das mulheres e a livre orientação sexual.

Integrou o Fórum de Mulheres da Paraíba e a primeira gestão do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher da Paraíba. Recentemente, Maria Ednalva colaborou com o processo das conferências de políticas públicas para mulheres na Paraíba, deixando suas inestimáveis contribuições para o feminismo e o movimento de mulheres de nosso estado.

O corpo de Maria Ednalva será velado na cidade de Campinas, SP, hoje à tarde, e chegará a Campina Grande, PB, na noite de hoje. O enterro está previsto para amanhã, quarta, 12/09, com local e horário a serem confirmados. Teremos outras informações na tarde de hoje.

Atenciosamente,

Equipe da Cunhã Coletivo Feminista

Pesquisa Ibope
 
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§ 91% consideram muito grave o fato de mulheres serem agredidas pelos maridos e namorados

§ 30% acreditam que a violência contra a mulher dentro e fora de casa é o problema que mais preocupa

§ 90% acham que o agressor deveria ser processado e encaminhado para reeducação
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