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Mídia
ainda está distante da diversidade
| Por Vivian Lobato, do Aprendiz |
“Não agüentamos mais sair nos cadernos de
comportamento. Acho que as pessoas estão cansadas de saberem do que
os gays gostam, que restaurante freqüentam e que marcas usam. Basta,
isso é ridículo. O debate já foi aberto para a sociedade, não é mais
uma novidade a vida gay”. A declaração é de um dos fundadores da
parada GLBTT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais),
Beto de Jesus, que participou de debate sobre a diversidade na mídia
na Pontifícia Universidade Católica (PUC), em São Paulo (SP).
“Atualmente, o que vemos na mídia brasileira é o mesmo tipo de
abordagem, para as mesmas questões, com as mesmas fontes. O debate
precisa ser muito mais amplo. Uma tarefa árdua, pois a grande
imprensa é um bloco difícil de quebrar”, colocou o editor da
organização não-governamental (ONG) Repórter Brasil, Mauricio
Rakizumi, instituição que trata de questões relacionadas aos
direitos humanos, também presente no evento.
Segundo artigo do teórico da comunicação Venício de Lima, publicado
no site Observatório da Imprensa, na democracia liberal existem dois
princípios fundamentais a serem seguidos: a pluralidade e a
diversidade dos meios de comunicação. A pluralidade significa
garantia de competição ou a ausência de oligopólios e monopólios,
além de provisões legais que proíbam um mesmo proprietário controlar
– no mesmo mercado – meios de comunicação distintos. Por exemplo:
jornal e televisão ou rádio. Diversidade, por outro lado, significa
a presença na mídia de conteúdo que expresse as muitas opiniões que
existem na sociedade.
Segundo o texto, a Constituição Brasileira, de 1988, garante esses
direitos, mas com um sistema legislativo ainda muito tímido, que não
acrescenta dispositivos diretos que limitem ou controlem a
concentração da propriedade, a realidade brasileira passa a ser bem
diferente.
“Atualmente existem grupos familiares que dominam a mídia no Brasil.
Cada um dos grandes globais busca o controle das diferentes mídias:
jornais, revistas, rádio, TV, livros, filmes, sistemas de cabo e
redes de cinemas”, lembra o editor do Repórter Brasil. “É preciso
tentar fugir do cerco formado pela opinião predominante dos veículos
de massa”, lembra Rakizumi.
Espaço fechado
De acordo com a coordenadora da Marcha das Mulheres, Nalu Faria, que
luta pela questão do gênero, a mídia brasileira ainda é muito
fechada. “Eu lembro que no começo da Marcha, antes de fazermos
qualquer ação, fazíamos um lobby para a mídia. Nós precisávamos nos
organizar. Ligávamos para os jornalistas. Existia uma forte
preocupação de como ia aparecer o movimento, qual papel e espaço nos
íamos ter dentro do veículo”, lembrou.
Beto de Jesus também lembrou das dificuldades que enfrentou no
começo da parada. “O evento tinha que ser num horário que ia de
encontro ao fechamento dos jornais, para garantirmos pelo menos uma
notinha sobre o assunto. Quase implorávamos para os jornalistas
aparecerem e, na maioria das vezes, as matérias saíam como algo
bizarro, desmerecendo o movimento. Queremos ser tratados de forma
normal, como fontes normais. Não é porque sou gay que sou inferior e
anormal”.
A jornalista da Folha de S.Paulo, Laura Capriglione,
contrapôs essa visão dizendo que o próprio mercado criou a
dificuldade para os jornalistas. “Existem horas que a gente erra de
maneira atroz. Um monte de pautas maravilhosas, que estão sendo
tratadas com a maior ligeireza, e isso não pode mais acontecer. Mas
devemos lembrar que a responsabilidade é da sociedade por um todo e
não apenas dos comunicadores”, explicou a jornalista.
---Publicado pela revista Envolverde.
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| Pesquisa sobre Violência Contra a Mulher |
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Pesquisa Ibope
Instituto Patrícia Galvão
2006§ 51% conhecem ao menos uma mulher que é ou foi agredida pelo
companheiro
§ 33% apontam a violência contra a mulher dentro e fora de casa
como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade
§ 64% acham que o agressor deveria ser preso
§ 75% consideram que as penas aplicadas em casos de violência
contra a mulher são irrelevantes
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Nove em cada 10 mulheres lembram de
ter assistido ou ouvido campanhas contra a violência à mulher na TV ou
rádio
Leia mais
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