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Maria da Penha: A voz forte e inconfundível que continuará ressoando em nossos corações
 


Maria da Penha Nascimento (de blusa amarela) no Treinamento de Mídia realizado em São Paulo pelo Instituto Patrícia Galvão em 06/05/2007

O movimento de mulheres negras e o movimento organizado de mulheres perderam no dia 24 de maio uma companheira incansável.

Querida Maria da Penha, se a morte calou sua voz forte e inconfundível, não irá destruir o trabalho que você realizou para que nossos sonhos de igualdade se tornassem realidade.

Muitas saudades e carinho das companheiras do Instituto Patrícia Galvão.

Está confirmada a missa de 7º Dia da companheira Penha
Dia 30 de maio, 6ª feira, às 19h, na
Igreja do Rosário dos Homens Pretos no Largo do Paissandu, Centro de São Paulo.

Leiam abaixo a matéria-homenagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo em sua edição de 28/05/08.

MARIA DA PENHA NASCIMENTO
(1949-2008)


A voz negra feminina do samba se cala

WILLIAN VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL

"Ela não mandava recado." Fosse o discurso pelo Dia da Mulher, o grito de vitória na escola de samba ou o basta à violência do marido -dizia sempre na cara, tudo o que pensava. "Era o próprio discurso", diz uma das três filhas, que eram, com a neta, a família feminina e o grande orgulho de Maria da Penha.

O marido, deixou na primeira vez que levantou a mão para lhe bater. Foi então viver a vida, "baladeira" que era, nos bailes da zona leste de São Paulo. Onde cresceu, sambou e se politizou.

Costureira até se aposentar, a negra de óculos e cabelos curtos subia seu 1,75 m em outros muitos centímetros de salto, vestindo turbantes e roupas coloridas que deixariam uma africana com inveja, e mostrava os dentes brancos em grandes sorrisos ou discursos políticos. Petista feminista, era de uma dezena de organizações sociais; do movimento negro a associações de mulheres.

Mas no samba é que se realizava. Foi uma das fundadoras da Leandro de Itaquera. Na escola, foi passista, destaque, tesoureira, da comissão de frente e chefe de harmonia. E qual não foi sua decepção ao vê-la cair do grupo especial em 2006.

Foi seu último Carnaval. O câncer piorou rápido. Mas ela disse, conta a filha, que não admitia morrer sem ver a escola de volta à elite do Carnaval. O que aconteceu em 2008, ano que devolveu a Leandro de Itaquera ao Grupo Especial de 2009. Mas não a colorida Maria da Penha. Ela morreu no sábado, de câncer, aos 58 anos.

 

Pesquisa Ibope
 
Pesquisa Ibope
Instituto Patrícia Galvão

§ 91% consideram muito grave o fato de mulheres serem agredidas pelos maridos e namorados

§ 30% acreditam que a violência contra a mulher dentro e fora de casa é o problema que mais preocupa

§ 90% acham que o agressor deveria ser processado e encaminhado para reeducação
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