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Lei Maria da Penha tem 83% de aprovação da
sociedade brasileira
População acredita que a Lei Maria da Penha
inibe a violência contra a mulher, revela a pesquisa Ibope/Themis
A maioria da população brasileira conhece a
Lei Maria da Penha (68%) e sabe da sua eficácia (83%). Após dois anos de
sanção da lei, completados nesta quinta-feira (07/08), a sociedade
brasileira está mais vigilante e menos tolerante aos casos de violência
contra as mulheres. Isso é o que revela a pesquisa Ibope/Themis – Assessoria
Jurídica e Estudos de Gênero, com o apoio da Secretaria Especial de
Políticas para as Mulheres (SPM), realizada entre os dias 17 e 21 de julho,
com 2002 entrevistados em 142 municípios brasileiros. A margem de erro é de
dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Dados da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 – mostram que, de
janeiro a junho, foram registrados 121.891 atendimentos - um aumento de
107,9% em relação ao mesmo período de 2007 (58.417). Maior divulgação da
lei, melhorias tecnológicas, aperfeiçoamento do sistema e capacitação das
atendentes contribuíram com esse aumento. Parte significativa desse total
deve-se à busca por informações sobre a Lei Maria da Penha, que registrou,
no primeiro semestre deste ano, 49.025 atendimentos contra 11.020 (primeiro
semestre de 2007). O crescimento corresponde a 346%.
Pesquisa Ibope/Themis
Com três perguntas dirigidas à opinião pública, o levantamento aferiu o
grau de conhecimento espontâneo da lei. A pergunta: “Você conhece, ainda que
de ouvir falar, a Lei Maria da Penha?” obteve resposta positiva de 68% dos
entrevistados, contra 32% que não conhecem ou não opinaram. Na questão, a
lei é mais conhecida nas regiões Norte e Centro-Oeste (83%).
A população percebe que a legislação inibe a violência contra a mulher. Do
total de entrevistados, 33% acreditam que a lei pune a violência doméstica;
21% pensam que ela pode evitar ou diminuir a violência contra a mulher; e
13% sentem que a lei tem ajudado a resolver o problema da violência. Existe
entre os entrevistados a percepção de que se trata de uma lei que coloca o
agressor na cadeia (20%). Por outro lado, 5% acham que a legislação não tem
resolvido o problema da mulher que sofre violência e 6% acreditam que a lei
não funciona porque não é muito conhecida.
Na seqüência, é fornecida ao entrevistado a informação de que a Lei Maria da
Penha “define as punições e encaminhamentos para as situações em que a
mulher sofre algum tipo de violência de seu companheiro”. Diante de uma
cartela com sete opções, 64% dos entrevistados indicaram que a legislação
“só ajuda”, 19% informaram que a lei “mais ajuda do que atrapalha” e apenas
5% disseram que ela “mais atrapalha do que ajuda/só atrapalha”. Isso
significa que 83% dos entrevistados têm uma percepção positiva da Lei Maria
da Penha.
Quanto aos serviços, o levantamento faz a seguinte pergunta “Pelo que você
sabe, de modo geral, quando uma mulher é agredida pelo companheiro, ela
costuma procurar algum tipo de serviço ou apoio, ou não costuma procurar?”.
Do universo total, 38% acreditam que as mulheres agredidas procuram as
Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e 19% disseram que
elas buscam as delegacias de polícia. Apesar da percepção do problema da
violência doméstica contra a mulher e do conhecimento da Lei Maria da Penha,
42% responderam que as mulheres “não costumam procurar serviço ou apoio” em
caso de agressão do companheiro.
Veja a íntegra do relatório da Pesquisa
Ibope / Themis
Central
de Atendimento à Mulher
Nos 121.891 atendimentos realizados
neste semestre – um aumento de 107,9% em relação ao mesmo período de 2007
(58.417) – a participação das unidades da federação foi diferenciada. O
cruzamento do número de atendimentos para cada 50 mil mulheres por estado
revelou – ver tabela abaixo – a participação de cada unidade da federação em
relação à sua população absoluta.
O Distrito Federal foi o que mais entrou em contato com a Central, com:
132,8 atendimentos para cada 50 mil mulheres. Em segundo lugar, está São
Paulo (96,4) e em terceiro o Pará.
|
UF |
Atendimentos por
50 mil mulheres |
UF |
Atendimentos por
50 mil mulheres |
|
DF |
132,8 |
PR |
46 |
|
SP |
96,4 |
RN |
45,4 |
|
PA |
79,5 |
MG |
40,6 |
|
GO |
71,3 |
PB |
39,2 |
|
AL |
70,7 |
AP |
38,1 |
|
RS |
66,8 |
SE |
34,2 |
|
RJ |
65,4 |
SC |
34,1 |
|
BA |
64,5 |
RR |
31,7 |
|
TO |
62,3 |
RO |
29,6 |
|
MS |
57,4 |
CE |
27,4 |
|
ES |
53,9 |
AM |
26,3 |
|
MT |
50,9 |
MA |
22 |
|
PE |
47,7 |
AC |
21,5 |
|
|
|
PI |
5,8 |
Na maioria das denúncias/relatos de violência
registradas no Ligue 180, as usuárias do serviço declaram sofrer agressões
diariamente (61,5%) e semanalmente (17,8%). Desses relatos (9.542), as
denúncias de violência física (5.879) resultaram em homicídios (4) e
tentativas de homicídios (104), cárceres privados (79) e ameaças (2.278). Os
agressores são, na sua maioria, os próprios companheiros (63,9%) que, muitas
vezes, são usuários de drogas e/ou álcool (58,4% dos casos relatados).
Tipo de denúncia/relato de violência
|
1º semestre 2008 |
|
Violência Física |
5.879 |
|
Violência Psicológica |
2.502 |
|
Violência Moral |
717 |
|
Violência Sexual |
213 |
|
Violência Patrimonial |
152 |
|
Cárcere Privado |
79 |
Total
|
9.542 |
Perfil das usuárias
A
maior parte das mulheres que entrou em contato com o Ligue 180 é negra
(37,6%), tem entre 20 e 40 anos (52,6%), é casada (23,8%) e cursou parte ou
todo o ensino fundamental (32,8%).
Chamadas que salvam vidas
O meio de comunicação em que as pessoas mais tomam conhecimento da
Central 180 é o telefone público, com
21,2%. Em segundo lugar aparece a televisão com 15,1% e logo em seguida vem
o serviço de auxílio à lista (102), com 12,9%.
A criação da Central foi uma resposta da Secretaria Especial de Políticas
para as Mulheres à demanda prevista no I Plano Nacional de Políticas para as
Mulheres (I PNPM) para a criação de um serviço que orientasse mulheres em
situação de violência. O serviço funciona 24 horas, todos os dias da semana,
inclusive finais de semana e feriados.
Informações para imprensa:
Instituto Patrícia Galvão (www.patriciagalvao.org.br)
(11) 2594-7396, com Raquel Melo ou Denise Gomide
(61) 8133-8073, com Ismália Afonso
Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da
República
(61) 2104-9357 ou 9943-3774, com
Guto Pires
(61) 2104-9359 ou 9551-8492, com Gabriela do Vale
(61) 2104-9608 ou 9179-9230, com Isabel Clavelin
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| Pesquisa sobre
Violência Contra a Mulher
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Pesquisa Ibope
Instituto Patrícia Galvão
2006§ 51% conhecem ao menos uma mulher que é ou foi agredida pelo
companheiro
§ 33% apontam a violência contra a mulher dentro e fora de casa
como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade
§ 64% acham que o agressor deveria ser preso
§ 75% consideram que as penas aplicadas em casos de violência
contra a mulher são irrelevantes
§
Nove em cada 10 mulheres lembram de
ter assistido ou ouvido campanhas contra a violência à mulher na TV ou
rádio
Leia mais
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