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Mulheres e Poder
Participação das mulheres cresce, mas ainda é
insuficiente
Informes ABONG, nº 423, 5 a 19/06/08.
A participação
política das mulheres aumentou nos países da América Latina entre 1995
e 2006. É o que mostra o Informe sobre Democracia e Desenvolvimento da
Alop (Asociación
Latinoamericana de Organizaciones de Promoción - leia o relatório
acessando:
Informe Regional sobre Situación Política de la Mujer en América
Latina),
que oferece uma visão panorâmica do acesso das mulheres
latino-americanas às instâncias de poder político, centrando sua
análise na presença em parlamentos, cargos ministeriais e nos
distintos níveis de poder local.
A análise dos dados do Informe revela a influência da adoção das
políticas de cotas e a participação dos movimentos de mulheres no
aumento da participação delas na política. Mas revela igualmente a
insuficiência deste aumento para a efetiva igualdade de gênero na
política e na sociedade. “As cotas e a pressão dos movimentos
provocaram um aumento significativo da participação das mulheres, o
que é um avanço, sem dúvida, mas é preciso ir além da igualdade de
oportunidades”, afirma Patricia Boyco, do Comitê Executivo de Gênero
da Alop, responsável pelo levantamento. “As mulheres não devem ser
representadas somente como indivíduos, mas como grupo, com suas lutas
igualmente representadas”, completa.
Patricia faz a crítica com base nos números do Informe, que mostraram
que nos países com cotas, o crescimento da participação foi
significativamente maior do que nos sem cotas. Na Argentina, por
exemplo, em 1995, o número de mulheres estava em 25,3% no parlamento.
Em 2006, depois da lei de cotas, estava em 36,2%. No Brasil, a
diferença entre os mesmos 10 anos é de 6,6% para 8,8%. Taciana
Gouveia, integrante da Diretoria Executiva colegiada da Abong e da SOS
Corpo (PE), relaciona a insuficiência apontada por Patricia com a
insuficiência da democracia em sua forma representativa. “Numa
sociedade desigual, os espaços políticos acabam reproduzindo estas
desigualdades e seus limites ficam claros com a chegada dos desiguais
e excluídos aos espaços. O fundamental não é que as mulheres estejam
representadas por serem mulheres, mas por encamparem bandeiras
feministas. Ou seja, não é a política da presença, mas a política das
idéias”.
Para ela, “as sociedades latino-americanas são extremamente
conservadoras. Para promover mudanças e afirmar a equidade, é preciso
afetar as estruturas de pensamento e poder para além da democracia
representativa. Por isso, é preciso que movimentos, ONGs e partidos
façam suas as lutas das mulheres e é preciso que, nos espaços de
tomada de decisão política, se busquem cada vez mais referências nas
mulheres organizadas em seus movimentos”.
O desafio colocado é o de avançar nesta
transformação, para a política das idéias, sem descartar a conquista
das políticas de presença, como as de cotas.
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