Mulheres negras homenageadas no Palácio do Planalto
Notícia enviada por
Hildezia Alves de Medeiros (hildezia.medeiros@mds.gov.br)
e reproduzida pelo boletim Eletrônico
La Red Va... nº 492 -
Edición Especial
Prezad@s,
No dia 5 de março, como parte das comemorações do Dia Internacional da
Mulheres, aconteceu no Palácio do Planalto o lançamento do Plano
Nacional de Políticas para as Mulheres. Incorporando os resultados da
II Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres que aconteceu em
2007, o Plano traz como novidade novos eixos de ação, com destaque
para o eixo apresentado pelas mulheres negras de "Enfrentamento do
Racismo, do Sexismo e da Lesbofobia". Este eixo explicita a
necessidade de enfrentamentos ideológicos e do desenvolvimento de
medidas de ação afirmativa e específicas para diferentes grupos de
mulheres - em especial as mulheres negras - para que se alcance
melhores resultados em direção da equidade de gênero no país.
Como representante da sociedade civil na cerimônia, Nilza Iraci,
coordenadora de Geledés e da Articulação de Organizações de Mulheres
Negras Brasileiras, fez o discurso de abertura e apresentação do Plano
(ver texto abaixo) para o Presidente da República Luis Inácio Lula da
Silva, o Presidente da Câmara dos Deputados Arlindo Chinaglia, as
Ministras Nilcéa Freire e Dilma Roussef e diversos outros ministros
presentes, entre eles o Sr. Edson Santos, responsável pela Seppir.
Discurso que foi ouvido também pelas parlamentares integrantes da
Bancada Feminina do Congresso Nacional e ativistas do Movimento de
Mulheres.
Toda a cerimônia foi dedicada pela Ministra Nilcéa Freire à luta das
mulheres negras. Em seu discurso, a Ministra homenageou 10 mulheres
negras da história do país, entre elas Luiza Mahin, Laudelina de
Campos Mello, Lélia Gonzáles, Ivete Sacramento e Sueli Carneiro.
Afirmando que o desenvolvimento de ações para as mulheres negras
permitirá que as políticas públicas cheguem à maioria das mulheres do
país. Ao final,
prestou uma homenagem especial a 03 importantes mulheres brasileiras,
entre elas a Ialorixá Beata de Iemanjá, do Ilê Omi Oju Arô (do Rio de
Janeiro) que, muito emocionada, foi cumprimentada pelas autoridades e
demais mulheres presentes.
Parabéns a todas as mulheres negras!
Axé!
DISCURSO DE NILZA IRACI NA CERIMÔNIA DE LANÇAMENTO DO PNPM NO
PALÁCIO DO PLANALTO
Exmo. sr. presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, sra.
Marisa Letícia, companheira Ministra Nilcéa Freire, sras. e srs. ministras (os),
srs. e sras. parlamentares e autoridades presentes.
Queridas companheiras do CNDM, companheiras feministas de todas as
crenças e lugares.
Sua bênção minhas irmãs negras,
Hoje vivemos um momento importantíssimo para a história do Brasil,
quando apresentamos, com muito orgulho, ao governo e à sociedade, o
Plano Nacional de Política para as Mulheres, resultado do esforço e
trabalho de 195 mil mulheres de todos os cantos do País, que de março
a julho de 2007, realizaram 600 conferências municipais/regionais e
estaduais, envolvendo 1.616 municípios, para discutir a realidade
social, econômica, política e cultural brasileira e os desafios para a
construção da igualdade na perspectiva da implementação do Plano
Nacional de Políticas para as Mulheres, além de debater sobre a
participação feminina nos espaços de poder.
Éramos negras, índias, brancas; lésbicas, heterossexuais, bissexuais;
ribeirinhas, quilombolas; rurais; urbanas, encarceradas, jovens,
idosas, de diferentes classes, credos e profissões.
Todas pertencentes a uma mesma comunidade
Mas nada começou agora, nossos passos vem de longe. O feminismo
questionou e segue questionando a ciência, a cultura, a educação, a
religião e a política, abrindo portas para que milhões de mulheres
possam trilhar caminhos, construir escolhas, encarar os problemas e
apontar soluções em benefício de toda a sociedade.
Há muito tempo a mobilização o política das mulheres tem apontado para
o reconhecimento do papel do Estado na produção de ações capazes de
reduzir o impacto que o racismo, o sexismo e a lesbofobia têm em
nossas vidas.
Na II Conferência tratamos de questões difíceis entre o movimento e na
sua relação com o Estado, e trabalhamos na construção de consensos e
pactos de acordos de posicionamento coletivo.
Colocamos na pauta do governo e sociedade que o crescimento dos
fundamentalismos religiosos nas esferas nacional e internacional
reintroduz, com mais força, a repressão sexual, a homofobia, o
obscurantismo, a violência e a intolerância como parte de uma ordem
social patriarcal, racista e lesbofóbica que se apresenta de
diferentes maneiras, segundo a tradição de cada religião.
Colocamos a questão do aborto como uma questão de direitos humanos das
mulheres.
Ao elaborarem um Plano de Políticas as mulheres brasileiras estão
dizendo que não aceitam o papel de mera receptoras de políticas de
inclusão. Querem ser reconhecidas como parceiras dessa implementação.
As mulheres que sempre cuidaram de seu povo e de sua comunidade
decidiram que estava mais que na hora de cuidar de si próprias.
Esse Plano traz seis nove eixos, traduzindo as mudanças que o
movimento vem pleiteando na última década. A inclusão do eixo sobre
Racismo, Sexismo no Plano Nacional de Políticas para as Mulheres foi
uma elaboração vitoriosa de diferentes segmentos do movimento de
mulheres, sob iniciativa das mulheres negras. Esta deve ser vista como
uma forma de facilitar os processos de compreensão e de elaboração de
gestora/es e formuladora/es de políticas públicas, acerca da dimensão
das desigualdades entre as mulheres e entre estas e os diferentes
segmentos de homens; bem como das formas mais eficazes e eficientes de
endereçar ações para os diferentes segmentos de mulheres que compõem a
sociedade brasileira.
Acreditamos que o enfrentamento explícito, intenso e cotidiano do
racismo, da lesbofobia, do sexismo, e de seus impactos produtores das
condições adversas experimentadas pelas mulheres significa a
realização plena dos direitos humanos e da missão de agentes públicos.
Passamos da fase da denúncia às propostas. E da fase das propostas
para a de realizações e resultados.
Uma canção muito cara às feministas diz que é preciso ter força,
garra, gana. E raça, sempre! Isso, já demonstramos, temos de sobra. O
que a canção não diz é que é preciso ter recursos e orçamento, sem os
quais toda essa força, raça e gana se tornam um fardo. Portanto,
esperamos da parte de todos o empenho financeiro, orçamentário
e de gestão para que o Plano não seja apenas um conjunto de propostas
e intenções para ser revisado na próxima conferência. Ele é um
poderoso instrumento para realizar a transformação que a sociedade
exige.
Sr. Presidente, senhora e senhores ministros, o que entregamos para
vocês hoje é o resultado do sonho e do trabalho de milhões de
mulheres.
A sociedade civil fez a sua parte, agora a bola está com os senhores,
não vamos deixar que esse sonho volte para a zona de rebaixamento.
|