» Capa » Mulheres e Poder

Cota de candidatas está longe de ser alcançada
 

Jornal do Brasil, 19/07/08.

Até agora, somente um dos partidos conseguiu a porcentagem

Luciana Abade

Mais uma vez a cota de 30% de candidatas Mulheres nas eleições municipais não será atingida. É o que mostra levantamento prévio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com quase 370 mil registros de candidaturas apurados na última semana, apenas o Partido da Causa Operária (PCO) já preencheu as cotas femininas para a prefeitura.

Apesar de representarem cerca de 52% do eleitorado brasileiro, e disporem de sistema de cotas nas eleições, a presença das Mulheres na política partidária ainda é baixa. Dos atuais 51.942 vereadores, apenas 6.550 são Mulheres (12,6%). A porcentagem de deputadas estaduais é ainda menor. São 123 Mulheres (11,95%) contra 1.035 deputados.

Para tentar mudar o quadro, a Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres (SEPM) lançará, em breve, a plataforma política suprapartidária Mais Mulheres no poder – Eu assumo este compromisso. O objetivo do projeto é conseguir o apoio de candidatos a vereador e prefeito à pauta feminina.

Em geral, as Mulheres com mandato são oriundas de movimentos sociais, ou então, entram na vida política aproveitando o capital político da família. Em 180 anos do Parlamento brasileiro, as Mulheres nunca ocuparam um cargo efetivo na Mesa Diretora da Câmara ou do Senado.

– Os partidos, em geral, não têm investido na capacitação das candidatas. Depois de terem coragem de se candidatar, as Mulheres ficam perdidas com os instrumentos de campanha, principalmente a mídia – afirma Silvia Rita de Souza, autora do livro A mulher candidata, lançado na última semana.

Sílvia resolveu usar a experiência adquirida nos seis anos em que foi secretária-executiva nacional do PSDB Mulher para escrever um guia paras as candidatas. Segundo a autora, uma vez eleitas, as Mulheres ainda enfrentam a crítica de que só se interessam por temas sociais.

– De maneira geral, os problemas sociais afetam mais as mulheres. Por isso somos mais sensíveis ao tema – argumenta Sílvia, que defende a presença ativa das Mulheres no poder para tentar humanizar as leis brasileiras.

Entretanto, a coordenadora de projetos da SEPM, Beth Saar, ressalta que, uma vez no poder, as Políticas, muitas vezes, esquecem a pauta feminina. Um exemplo seria a recente derrota na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) do projeto de descriminalização do aborto. Apenas quatro deputados votaram em favor do projeto.

– Foi um golpe sofrido pelas Mulheres – pondera Beth. – Falam que o projeto de descriminalização do aborto já foi muito discutido. Não é verdade. O debate começou há três anos. Algumas deputadas realmente são contra o projeto, mas a grande maioria não votou pela pressão do período pré-eleitoral.

Outros projetos da pauta feminina estão travados. Entre eles, o que concede o direito à aposentadoria às donas de casa e o que dá às empregadas domésticas o direito ao Fundo de Garantia (FGTS) e seguro-Desemprego.

A coordenadora da bancada feminina da Câmara, deputada Sandra Rosado (PSB-RN), diz que o problema da pauta feminina empacar não é descaso das parlamentares, mas a desvantagem quantitativa dentro do Congresso.

– Já avançamos muito – acredita Sandra. – A aprovação da Lei Maria da Penha é um exemplo. Mas ainda sofremos uma resistência silenciosa.
 

Pesquisa sobre Violência Contra a Mulher
 
Pesquisa Ibope
Instituto Patrícia Galvão
2006

§ 51% conhecem ao menos uma mulher que é ou foi agredida pelo companheiro

§ 33% apontam a violência contra a mulher dentro e fora de casa como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade

§ 64% acham que o agressor deveria ser preso

§ 75% consideram que as penas aplicadas em casos de violência contra a mulher são irrelevantes

§ Nove em cada 10 mulheres lembram de ter assistido ou ouvido campanhas contra a violência à mulher na TV ou rádio
Leia mais

 
 
 
Instituto Patrícia Galvão - Comunicação e Mídia
Av. Brig. Luiz Antonio, 2050 - cj. 141 - ala B - CEP 01318-002 - São Paulo/SP
Fones: (11) 3266.5434 / 3285.4951 e-mail: ipgalvao@uol.com.br
Apoios: Instituto Avon - CCR - Fundação Ford - Global Fund for Women - IWHC - UNIFEM