Banco de dados unifica
estatísticas de gênero
O Estado de S.Paulo, 23/05/06. Robson Pereira
O número de famílias chefiadas por mulheres cresceu 66% na última
década, passando de 7,7 milhões para 12,8 milhões, o que representa uma
participação de 26,5% em relação ao total de domicílios. A participação
das mulheres no sustento da família também registrou aumento
significativo, de 24% em 1991 para 37,7% em 2000.
Apesar desses avanços, em 2000 os salários recebidos pelas mulheres
representavam 70% dos rendimentos recebidos pelos homens. Entre as
mulheres também prevalece um quadro de desigualdade, com trabalhadoras
negras ou pardas recebendo o equivalente à metade dos salários pagos
para mulheres brancas.
Esses números já eram de conhecimento público, mas agora fazem parte do
Sistema Nacional de Informações de Gênero (SNIG), um banco de dados
interativo, lançado ontem no Rio, fruto de uma parceria entre o IBGE, a
Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e o Fundo de
Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher. O sistema foi
desenvolvido de acordo com orientações da ONU para que os dados sejam
comparados com os de outros países.
Todas as informações do SNIG já estão disponíveis na internet (é preciso
baixar o programa) a partir do endereço www.presidencia.gov.br/spmulheres.
"Na verdade, já conhecíamos todas essas diferenças contidas no SNIG",
disse a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para
as Mulheres. "Mas trazer à tona esses dados ajuda a entender melhor o
que é ser mulher no Brasil."
Entre os avanços conquistados pelas mulheres, a ministra destacou a
educação. Atualmente 64% dos estudantes que concluem curso superior
pertencem ao sexo feminino. "Mas ainda vai levar um bom tempo para que
isso se reflita no mercado de trabalho, onde impera o que chamamos de
'teto de vidro': as mulheres chegam a um determinado ponto da carreira e
dali não passam", afirmou a ministra.
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